quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Expatriação: entre dicas e clicks.

Olá, X!
Conversando por aí, é possível achar dicas valiosas sobre expatriação.
Na coluna
Cinco Perguntas e Uma boa Surpresa! tem de tudo. Tem gente que fala que estudaria mais o idioma local, tem quem diga que - antes da partida - terminaria projetos no Brasil. Já ouvi gente dizer que negociaria melhor o pacote de benefícios, que tentaria ser mais aberta à nova cultura, que trabalharia no exterior. Uma amiga aconselha não se desfazer de eletrodomésticos brasileiros, pois - com adaptador de tomada - funcionam perfeitamente em outro país. Além disso, alguns são peça rara. Nos Estados Unidos é missão quase impossível encontrar espremedor de laranja, diz minha amiga.
Tem também o time que jura que não faria nada diferente.
Como meu prazo de expatriação não era lá tão longo, eu tentaria ir com propostas mais definidas, como cursos com data certa para começar, se bem que a busca por opções foi por si só uma grande experiência.
Se vale outra dica, não tenha medo de tomar decisões. Por uma questão didática, não dependa tanto da ajuda de compatriotas, embora o apoio de brasileiros longe de casa seja um alento.
Outra coisa que acho muito útil para quem está longe da terrinha, investir em tecnologia - na máquina e em quem fica em frente a ela.
Já conversamos
aqui sobre minha admiração pelo telefone dos Jetsons. Poder ver a pessoa com quem a gente está falando é um alívio e tanto.
Tem também expatriada usando blogs para resolver os dramas, dilemas e sofrimentos que surgem com a expatriação. O tal do diário virtual ajuda a dividir o peso dessa vivência e a compartilhar experiências.
Então, por que não - em meio às malas, mudança de casa e burocracia - pesquisar um equipamento que dê conta das suas necessidades e investir em um cursinho rápido para se familiarizar com a linguagem digital?
Quem sabe não está aí a chave para uma super porta.
Isso me faz lembrar das interessantes coisas que ouvi no Simpósio sobre Jornalismo Digital, na universidade do Texas, e das pessoas totalmente envolvidas pelo ambiente "internético".
O responsável pela cadeira na universidade, o professor brasileiros Rosental Calmon Alves, esteve no Brasil mês passado e frisou a importância de a gente se preparar para trilhar esse tal caminho sem volta que é a era virtual.
Porque, resumindo, é cada um em um canto, mas todo mundo bem pertinho...e - como a gente viu outro dia - de repente você vira uma expatriada mesmo sem deixar o Brasil...
Imagem: SXC

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Expatriação na estante. Expatriados.com

Olá, X!
O aprendizado com a experiência é indiscutível, mas - às vezes - um mapinha é providencial.
Por isso, puxe uma cadeira e fique à vontade. O momento é de conversar com gente que pesquisa e escreve sobre expatriação. Essa é a proposta desse novo ambiente aqui no Expatriadas.
Fique à vontade também para indicar bate-papo com especialistas e lançamento de livros sobre o tema. O canal é o expatriadas@hotmail.com
O espaço hoje é de Andrea Sebben, que acaba de mandar para as prateleiras o Expatriadas.com, da editora Artes e Ofícios.
Ela, outros pesquisadores e, claro, os expatriados tratam do sobe-desce dessa experiência: família, adaptação cultural, carreira e por aí vai...
X - O Expatriados.com é uma compilação de ideias de diferentes especialistas no assunto, quais os temas abordados no livro?
AS - A ideia foi trazer referências na área para falar como é a Política de Expatriação dentro das empresas, por isso a participação da Odebrecht, Bosch, Alstom, Maerks, entre outras.
Do mesmo modo, alguns expatriados ilustraram o livro contando como é estar lá fora. Os estrangeiros contam como é viver aqui no Brasil.
Tive o cuidado de ver as diferentes facetas disso: esposas que acompanharam, noivas que ficaram, maridos que largaram tudo para dar suporte às suas esposas.
X - O livro é direcionado aos profissionais da área, ou também ajuda quem está se preparando para essa experiência?
AS - Ambos. Quem trabalha na área vai entrar em contato com conceitos novos que venho introduzindo ao mercado: Treinamento Intercultural - baseado em Ciências Interculturais, os RHI´s - Recursos Humanos Interculturais - com o perfil dos profissionais que ali atuam, quais seus objetivos, enfim, uma reflexão bem séria sobre esses RHI´s que se multiplicam em nosso país.
Para quem vai ser expatriado, o livro traz relatos bem-humorados sobre o dia-dia de quem já cruzou as fronteiras. A ideia foi produzir uma obra bem completa.
X - Você tem vários livros publicados sobre expatriação, quais as novidades do Expatriados.com?
AS - A novidade é o aporte científico que trago, já que nunca fui de trazer autores ou abrir discussões acadêmicas sobre o tema. O relato de expatriados legitima a teoria.
O caminho da prática à teoria é, aliás, um diferencial muito importante na minha carreira. Frequentemente as pessoas vão à teoria nas Universidade e depois partem para a prática. Comigo o destino fez o inverso: tive experiências riquíssimas na Itália, na Espanha, na Bélgica e nos Estados Unidos e a partir delas fui em busca da teoria. Sei que isso dá um aporte fantástico tanto para quem ensina, como para quem aprende. E no expatriados.com tentei seguir a mesma linha.
X - A crise - que dizem já estar no caminho da superação - mudou os desafios da expatriação?
AS - Não creio nisso. Do ponto de vista da Educação e da Psicologia Interculturais a expatriação é um fenômeno complexo e profundamente intimista. Nada vai mudá-lo, pois ele é vivenciado dentro do sujeito. Agora, se estiveres falando dos processos, dos pacotes de benefícios, dos países de destino, eu diria que houve, sim, uma diminuição importante nos projetos de expatriação. Estávamos numa crescente até o ano passado e, este ano, percebe-se claramente o mercado mais cuidadoso.
X - Qual o balanço que você faz de 2009 para os expatriados?
AS - Meu balanço é otimista em todos os sentidos. Na área do treinamento Intercultural, por exemplo, até dois ou três anos atrás tínhamos uma ou duas empresas no país envolvidas nessa área - era quase um monopólio. Hoje já temos mais de dez. Certamente tem gente não qualificada buscando oportunidade nesse novo mercado, mas também há pessoas se preparando seriamente para poder atendê-lo.
Além disso, o debate sobre o tema vem ganhando espaço, já que a literatura sobre expatriação se intensifica e os eventos se multiplicam.
X- Quais as expectativas para os expatriados em 2010?
AS - O mercado está se reaquecendo e creio que 2010 será um ano fantástico com novas surpresas e um avanço importante em qualidade. De nossa parte, por exemplo, teremos um grande evento a ser lançado no início do ano reunindo nossos experts do Expatriados.com.
X – Um recado...
AS - Agradeço a oportunidade da nossa conversa. Fico ao inteiro dispor para quem quiser seguir nessa conversa. Um beijo afetuoso a todos! http://www.andreasebben.com.br/

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cinco Perguntas e uma boa surpresa! Emirados Árabes.

Olá, X!
O Expatriadas desembarca hoje nos Emirados Árabes Unidos.
Considerado um dos berços da humanidade, esse país asiático está entre aqueles em que Islã e petróleo de misturam.
Independente da Inglaterra desde 1971, o território é dividido em sete emirados, cada um governado por um Xeque. A cada 5 anos o conselho de emires - os descendentes de Maomé - se reúne para escolher entre eles os próximos presidente e vice-presidente.
Como consta na página do consulado, atualmente o chefe de Estado é o presidente Sua Alteza Xeque Khalifa Bin Zayed Al-Nahyan e o chefe de governo: primeiro-ministro Sua Alteza Xeque Mohammed L Rashid L Maktum.
O idioma oficial é o árabe e a moeda é o Dirham, que neste momento vale R$0,48.
Metade dos 4,4 milhões de habitantes é estrangeira. Por isso o inglês predomina. Por isso a maior abertura cultural.
Quem traz mais detalhes sobre a região é Solange Barros Piñeiro, que vive em Dubai.
Ela deixou o Rio de Janeiro há quase 4 anos para acompanhar o marido, piloto de avião.
Solange diz que a ideia é ficar por lá por mais uns 9 anos, “conta feita pelo marido para conseguir reservas pessoais e se aposentar.”
Solange é corretora de imóveis, mas se define como uma mulher de negócios em geral. “Aparece uma oportunidade eu desenvolvo e sigo fechando negócios.” Ela atua como guia turístico exclusivamente para brasileiros, “apenas para a família ou grupo de amigos”, diz.
Então vamos aproveitar esse atendimento vip para conhecer um pouquinho dos costumes da região. Obrigada Solange! Outros detalhes aqui, no blog dela.

Cinco Perguntas:

X - Como foi o processo até você realmente se sentir em casa em outro país, ou isso nunca aconteceu?
SP - Isso nunca aconteceu!!!
X - O que é ou foi mais difícil durante a sua expatriação?
SP - Vender minhas coisas pessoais. Deixar um filho de 29 anos no Brasil, isto é, dividir a família ao meio porque veio comigo o filho de 11 anos na época. Hoje ele tem 14 anos e o do Brasil está casado e me deu um neto, que hoje tem um ano.
X - O que faria diferente?
SP - Terminaria minha faculdade de direito, porque faltava apenas um ano. Em paralelo, faria um intensivo em inglês.
X - Toparia ser expatriada de novo?
SP - Sim. No Brasil não tem campo de trabalho saudável para a profissão do meu marido, piloto da Emirates Air Line.
X - Quais expectativas se concretizaram e quais viraram pó depois da mudança?
SP - A que se concretizou foi o filho de 11, hoje com 14, ter fluência em Inglês.
A que virou pó foi eu achar que também teria essa fluência. Ilusão! Estou cercada de brasileiros. Aqui os locais não se dedicam aos estrangeiros, e os estrangeiros estão cuidando da própria sobrevivência e sem tempo de criar novos laços. Aqui todos estão de passagem, ninguém veio para se estabelecer e morar para sempre.

A boa surpresa:
Conseguir trabalhar sem dominar o inglês, idioma predominante - já que todos são estrangeiros de algum lugar do planeta.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Família, família...

Olá, X!
Demorou para os experts darem o braço a torcer. Aliás, tem gente que ainda resiste em admitir. Embora não precise ser gênio para saber, o diretor do curso de especialização da escola de negócios do MIT, Stephen Sacca, salienta que sem o ajuste da família não há estudante expatriado - por mais brilhante que seja - que tenha sucesso no programa. "Como grande parte dos alunos vem de outros países, tentamos criar uma comunidade sólida de relacionamento e apoio para suas esposas, maridos e filhos. Assim, as famílias não se sentem tão deslocadas durante o período do programa", diz.
Sacca conversou com o repórter do Valor Econômico, Rafael Sigollo. Texto completo só para assinantes.
Lendo sobre as estatísticas do curso do MIT, difícil mesmo não prever o peso da família no processo.
Para começar, a média de idade dos alunos é de 38 anos, período - geralmente - de criançada correndo pela casa.
O curso é puxado. Exige dedicação integral, além de disponibilidade para viagens, durante um ano.
Para completar, o investimento é alto. O próprio MIT prevê que, em 12 meses, o aluno gaste cerca de US$ 80.000 - isso com matrícula, livros, casa, comida e roupa lavada.
O fato é que metade dos alunos tem bolsa de suas empresas, além de licença remunerada. Então não dá para levar - e nem seria possível - o programa na brincadeira.
Quem financia quer, no mínimo, envolvimento e grandes resultados.
Mas tem uma coisa que o poderoso do MIT não salientou. O apoio da família é fundamental, inclusive, depois do canudo conquistado. É que - como já conversamos aqui - por mais que o investimento da empresa seja alto, não há garantia de nada na volta para a casa.
Imagem: SXC

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Expatriado Virtual.

Olá, X!
Você pode ser uma expatriada e não saber. Aliás, você pode ser uma expatriada mesmo sem botar o pé fora do Brasil. É que para ser expatriada hoje basta estar conectada!
A edição de outubro da newsletter da consultoria Mercer usa uma palavrinha para dar uma abrangência e tanto ao conceito de expatriação, virtual. Isso mesmo, as empresas agora tem o expatriado virtual, “este colaborador caracteriza-se por ter um local de trabalho num determinado lugar, mas com responsabilidades e papéis em outros países, com os quais mantém contato permanente via videoconferências, conversas on-line, etc. Viaja para os outros países ocasionalmente por curtos períodos de tempo”, explica o texto.
Pelo jeito não adianta mesmo. Você pode até recusar o convite de transferência, mas não tem como escapar à tal das adaptações culturais, porque de repente puf, e você é uma expatriada...sem as angústias da mudanças, mas sem as compensações financeiras do processo...
A consultoria tem percebido ainda algumas mudanças nos processos de expatriação. A mobilidade internacional vem descendo os degraus hierárquicos, “cada vez mais os processos de expatriação estão abertos a colaboradores mais juniores, que ainda se encontram numa fase inicial de carreira.”
Isso, de acordo com a consultoria, traz consequências interessantes. As chamadas transferências de curto prazo - menos de um ano - têm sido mais constantes, assim as famílias têm por opção não acompanhar o profissional expatriado, que volta com mais frequência para a casa.
Imagem: SXC

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Quando o pimpolho já nasce um expatriadinho.

Olá, X!
Hoje a conversa é inspirada nas amigas de longe, abençoadas pelo crescimento da família.
Dizem que o planeta está com menos fronteiras - particularmente não acredito muito nisso. Dizem que o bom é ser cidadão do mundo. Nossa, falam tanta coisa. O fato é que se a gente não sabe para onde vai, tem que ao menos ter uma noção de onde vem.
Isso foi um problemão até pouco tempo atrás para o filhote de brasileiros que nascia no exterior.
Entre 1994 e 2007 muitos pimpolhos simplesmente ficaram sem nacionalidade porque uma emenda à Constituição dizia que para ser brasileiro nato não bastava, como previa a Carta de 1988, que a criança expatriada fosse registrada no consulado brasileiro. Passou a ser necessário que ela vivesse no Brasil antes dos 18 anos.
Você pensa, “ok, meu filho vai ter a nacionalidade de onde nasceu.” Só que a gente sabe que a vida não é simples assim. Como alguns países não dão nacionalidade local aos bebês de pais estrangeiros, muitos brasileiros acabaram apátridas. A estimativa é de que 200 mil brasuquinhas ficaram sem um registro de referência.
A confusão foi resolvida com o ajuste da lei em 2007. Se o seu baby nasceu nesse período nebuloso, em que se emitia passaporte provisório para os herdeiros de brasileiros lá fora, fique atenta às regras.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, “para que filho de cidadão brasileiro tenha a nacionalidade brasileira é necessário realizar o registro de nascimento em repartições consulares brasileiras até a data em que a criança completar 12 anos. Após essa data, o registro de nascimento somente poderá ser efetuado no Brasil, por ordem judicial. A certidão consular de nascimento deverá ser posteriormente transcrita, no Brasil, no Cartório do Primeiro Ofício do Registro Civil do local de residência do registrando. Na falta de residência ou domicílio no Brasil, a transcrição será feita no Cartório do Primeiro Ofício do Registro Civil do Distrito Federal.”
Já ouvi, sim, brasileiro dizendo que não fazia questão de o filho ser também brasileiro, e acrescentava um sonoro “nada como ter passaporte de uma região desenvolvida...”
Mas, como lembra o advogado Marcel Moraes Mota, a palavrinha nato faz - sim - diferença, “os casos previstos na Constituição são quatro: extradição (art. 5º, LI), cargos (art. 12, § 3º), função (art. 89, VII) e direito de propriedade (art. 222).
Sei que seu filho será a melhor pessoa do mundo, mas vai que...
O brasileiro nato em nenhuma hipótese pode ser extraditado, o que não ocorre com o naturalizado, que poderá ser entregue à Justiça de outro país em caso de crime comum, cometido antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico de drogas afins.
Outra coisa, vai que sua cria queira entrar para a carreira política pelas bandas de cá. Só brasileiro nato pode seguir carreira diplomática, ser presidente ou vice-presidente da República, ser presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, ministro do Supremo Tribunal Federal ou da Defesa.
E se ele tiver a chance de se transformar em um mega empresário? A propriedade de empresa jornalística e de radio é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. “Não se trata de impedir, de forma absoluta, aos naturalizado tais propriedades, mas de condicioná-la a prazo de dez anos de naturalização”, explica Marcel.
Então, se o seu expatriadinho está quase chegando, aproveite para se atualizar sobre os trâmites burocráticos na hora do registro. A página do Ministério das Relações Exteriores traz mais informações sobre o assunto.
Imagem: SXC

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quando a porta não é grande o bastante.

Olá, X!
A ideia hoje era conversar sobre o registro de filho de brasileiros que nasce no exterior.
Só que tinha me esquecido de como tem coisa que simplesmente muda o curso do dia, apesar de esse tipo de acontecimento não ter nada de grave.
Quer situação mais sacal que ficar esperando a entrega de algo, seja lá o que for?
Pois é, mudança tem disso. Hoje passei o dia à mercê do entregador do sofá. Ele poderia aparecer entre 8 da manhã e 6 da tarde. Perfeito. Assim não tem problema, pra ele, né?
O moço até que não judiou. Apareceu 2 da tarde. Mas o móvel era grande demais para as portas do Ap. Fez viagem de volta para ser desmontado. Ai que saudade do Ikea...isso pra ser bem suave...
Resuminho: tempo perdido para mim e para ele, irritação de saber que vou ter outro dia assim de espera e total falta de concentração para falar de qualquer coisa que exija um pouco mais de cuidado, caso da cidadania brasileira.
Eu sei, Deus é brasileiro. O assunto de cidadania por aqui parece simples, mas teve um período - até 2007 - em que muitos brasileirinhos nascidos pra lá da fronteira simplesmente ficaram sem pátria por causa de uma confusão na nossa lei.
Mas isso é assunto para amanhã...
A cada dia basta o seu sofá emperrado na porta!
Imagem: SXC