sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Expatriação: a viagem que nunca acaba...

Olá, X!
Basicamente o que aprendi com a expatriação:
- O mundo é imenso! Apesar dos 7 bilhões de habitantes, ainda há muito lugar vazio, muito espaço a ser explorado;
- Somos imensos. Temos várias facetas e somos capazes de agir até na nossa incapacidade;
- As pessoas são interessantes. Às vezes é preciso paciência e disposição para perceber, mas - geralmente - as pessoas têm bons ingredientes para acrescentar na nossa receita de vida;
- A vida sempre muda! Às vezes de repente, às vezes a conta-gotas, mas sempre muda;
- A experiência é pra sempre! O fantástico é que as lições que se aprende podem ser atualizadas à medida que o mundo, a gente e as pessoas mudam. Basta não parar de viajar...especialmente quando o destino é pra dentro!
Imagem: SXC

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A chave para a legalidade...

Olá, X!
Aqui no Brasil, quem compra uma casa pode levar uma tv "fininha", armário de cozinha, moto e tem construtora dando até carro.
Nos Estados Unidos, quem comprar um imóvel pode ganhar um visto!
Isso é o que sugerem dois senadores - um republicano e outro democrata.
As informações são da repórter da Folha de S.Paulo - Luciana Coelho (matéria disponível só para quem assina o jornal).
Como não existe almoço de graça...
As regras do negócio:
Investimento de - no mínimo - US$ 500.000 em imóveis;
Pagamento em cash, nada de financiamento, baby...
Permanência de pelo menos 6 meses por ano nos Estados Unidos;
Pagamento de impostos.
Os políticos acreditam que a proposta ajudaria a impulsionar o mercado imobiliário americano, um dos principais motores daquela economia.
A matéria não indica que tipo de visto seria.
Pensando com meus interruptores:
Quem tem esse dinheiro para investir em outro país, não seria bem-vindo em uma economia que luta pra "fazer" dinheiro, portanto já não teria condição de ter um visto?
Well, well...vai saber...
A questão é saber como a bancada anti-imigração vai reagir.
Só para constar:
O preço das casas nos Estados Unidos está no menor nível em 8 anos.
Pelas contas da Associação Nacional de Corretores dos EUA, entre abril do ano passado e abril desse ano, os estrangeiros gastaram US$ 82 milhões em imóveis, 24% acima do período anterior.
Para quem quer pensar um pouco mais no assunto, já conversamos aqui sobre compra de imóveis no exterior.
Imagem: SXC

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Expatriado feliz, expatriadinho idem.

Olá, X!
Tenho a impressão de que tem mãe ou pai por aí que acredita estar criando um ser global pelo simples fato de o pequeno - aos 3 anos de idade - já dizer hello, yellow e Thank you.
Eeeeiiii, foco no absurdo!Claro que não vou contestar o fato de que aprender mais de um idioma - e logo na primeira infância - pode incrementar nossa mobilidade entre lugares e entre situações.
Mas penso que a lapidação de um expatriado feliz está muito mais nas entrelinhas, nos detalhes, no dia dia mesmo, do que em um esquema "the book is on the table". Acontece que ensinar pela cartilha do cotidiano exige presença, disponibilidade e um olhar atento de quem cuida.
A gente não pode querer, por exemplo, que o filho entre sem traumas em uma outra cultura se briga para que a prefeitura remova um albergue ou não construa uma estação de metrô porque vai trazer um povo "diferenciado" para o bairro.
Não dá pra acreditar que ele estará apto a experimentar novos sabores se o que sempre provou foi a mesmice das comidas industrializadas, congeladas, de isopor.
É loucura achar que o filho vai se aventurar em ir e vir se ele nunca teve um porto seguro, se nunca soube onde encontrar apoio e amor.
Também não se pode desejar que ele tenha a disposição de encarar o estranho se toda a vida teve que se espremer em um padrão. Aqui faço questão de ser mais específica.
A cena: procura por jardim da infância.
Coordenadora pedagógica de uma escola tida como exemplar diz: "vamos conversar lá fora, parece que seu filho não gosta de lugar fechado."
Aproveitando: "como lidam com uma alma que tem certa resistência à paredes?"
"Então", começa a bam-bam-bam em crianças: "tem que vir da rotina da famíia. Você tem que diminuir as saídas, acostumá-lo a ficar mais dentro de casa."
Ah...tá... Poderia, imagino, começar dizendo a ele que lá fora tem bicho papão, que correr na areia da praia é nojento e que brincar no parquinho pode ser muito perigoso, já pensou no tombo do escorregador?

Ah, e poderia ainda convencê-lo de que vento, Sol e chuva só existem para atrapalhar a vida.
COMO UMA COORDENADORA PEDAGOGICA PODE SUGERIR TAL DOMESTICAÇÃO? Tá, desculpe, me exaltei...

Mas será que não existem outras maneiras de mostrar que também pode ser interessante ficar em sala de aula?Não, aqui não minha filha! Com uma mentalidade dessas deve ser mesmo hor-rí-vel passar um minuto sequer nessa escola...
Mas, enfim, não é esse o ponto.
O que penso ser importante na formação do tal ser global - seja na busca por colégio, na escolha do lazer, no emitir uma opinião, no oferecer um prato... - é ajudar a armazenar ferramentas para desbravar, abrir caminhos, vasculhar, atravessar opiniões, preconceitos e fronteiras.
Meu papel como mãe é ampliar e não conter. É expandir e não reter. É mostrar que o mundo é grande, e repleto de vertentes.
Pode ser que a expatriação para nosso herdeiro nunca aconteça. Pode ser...
Mas pelo menos teremos tido a chance de passar adiante uma das principais lições sobre a vida: a de que ela é repleta de possibilidades. E quanto mais arraigada essa ideia, desconfio que mais felizes poderemos ser.
Imagem: SXC