sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Expatriação: família é tudo!

Olá, X!
Podem falar o que quiser sobre família: que ela está mudando, acabando, falindo...
Mas é fato: família unida - ciente dos desafios e das oportunidades, que embarca junto na viagem - é a base de uma expatriação de sucesso.
Muita gente só descobre isso em meio à dor.
Sorte quando dá tempo de encontrar forças dentro de casa ainda durante a transferência, aí, geralmente, a família fica mais unida e forte. Triste quando as pessoas reconhecem que o relacionamento poderia ter sido diferente quando já estão de volta, com todo mundo frustado - ou pior - um longe do outro.
O ponto é: os profissionais de recursos humanos estão - finalmente - atentos ao peso do bem estar de todos: papai, mamãe, crianças, cachorro, peixinhos expatriados...
Pelo menos, foi isso o que eles mostraram no sexto forum da Associação Brasileira de Recursos Humanos, que tratou da relevância do RH no processo de expatriação.
Segundo a Associação Brasileira de RH, dos convites negados de expatriação, 8 em cada 10 são recusados pelo receio que a família tem de deixar o aconchego do lar e se aventurar em uma nova cultura.
Uma das palestrantes, Andréa Fuks, sócia da Global Line - empresa que atua há quase duas décadas com expatriação - resume a queixa de muitos expatriados.“A maioria das políticas de expatriação prevê apoio às questões técnicas e de problemas do dia a dia em relação à moradia e às questões legais, mas o que mais preocupa são as questões emocionais e aquelas que requerem um entendimento da cultura local.”
Além do papel da família, durante o encontro, foram debatidos temas que a gente, vira e mexe, trata por aqui, caso da repatriação e das transferências dentro do Brasil.
Quanto à viagem de volta, Andréa Fuks admite que a repatriação não recebe a atenção que merece.“É comum as empresas que apoiam seus expatriados se esquecerem de que há problemas após o seu retorno.”
Resultado: ou a empresa perde o profissional, ou o profissional acaba perdendo o emprego.
Segundo Daniela Lima, também sócia da Global Line, “muitas vezes, a pessoa se super qualificou lá fora, aqui no Brasil a demanda não evoluiu na mesma velocidade e, no seu retorno, este funcionário não se encaixa mais no perfil da vaga disponível a ele.”
E quando a mudança não exige visto nem passaporte?
Para o gerente de mobilidade internacional da Petrobras, César Edney, a empresa deve ter, sim, mais cuidado com essa "expatriação interna". “Devemos considerar as mudanças de pessoas entre estados aqui no Brasil, pois há bastante dificuldade de adaptação para muitos.”
Então, conluindo:
- Família é tudo;
- O retorno é tão importante quanto a partida;
- Mudança é mudança, não importa pra onde, tudo muda!
Ah, outra coisa que fizeram questão de frisar durante o encontro: expatriado tem que ter alma livre, leve e solta, porque “uma carreira internacional nem sempre é glamurosa”, diz Andréa Fuks, da Global Line.
Mas isso a gente já sabia, né!
Imagem: SXC

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Que o diferente nunca fique igual!

Olá, X!
Quando eu nasci, os sutiãs já tinham sido queimados.
A minha mãe e o meu pai já acreditavam que fosse filho ou filha, tinha que estudar e se preparar para ser autossustentável.
Em casa, lavar louça e limpar o carro, fazer comida e tirar o lixo sempre foram atividades unissex.
Nem por isso meus irmãos perderam em sua masculinidade, nem eu e minha irmã ficamos menos femininas.
É fato que meus pais nunca tiveram a pretensão de ver as garotas interessadíssimas em consertar o chuveiro queimado, nem os garotos entusiasmados em arrumar a mesa com os detalhes que a etiqueta adora. Porque, apesar da pressão para convencer de que somos todos iguais, eles sempre souberam que meninas e meninos são - no mínimo - biológicamente, fisiológicamente, neurológicamente, socialmente diferentes.
O humano pode até ter a mesma essência: fala, raciocínio, sentimentos, emoções. Mas homens e mulheres conversam, pensam, sofrem e amam de maneiras diferentes.
Existem correntes que dizem que tudo isso é uma construção social. Defendem que eles e nós podemos ser absolutamente iguais. Sei lá...
Você: "ok, tudo bem, mas o que o salto tem a ver com a meia calça? O que esse assunto tem a ver com o mundo 'expatriático?"
Tudinho!
O ponto em que quero chegar é que, para uma expatriação dar certo, homem e mulher tem que embarcar juntos nessa, tirando proveito das igualdades e, principalmente, das diferenças.
Nossos talentos:
- empenho na expressão das emoções e sentimentos;
- atenção aos detalhes;
- foco na estética e na beleza.
Talentos deles:
- poder de concisão;
- resistência emocional;
- praticidade.
Óbvio que temos tantas outras qualidades opostas, mas se, na expatriação, levamos na mala a armadura, cada ponto positivo pode virar foco de crítica, tensão e disputas. Aí, as habilidades de cada um, que deveriam equilibrar a relação, podem servir mesmo é para romper.
Só para exercitar, vamos supor a cena: tentativa de ida com os filhos ao parque depois do jantar.
Ela: "crianças, ponham o tênis, peguem capacete e joelheira se quiserem andar de patins."
Ele: "não precisa, vamos de chinelo, só pra andar um pouco por aí."
Ela: "você não está nem aí 'pras' crianças."
Ele: "Para!"
Ela: "Por que? Tá cansado, né? Só pensa no seu trabalho!"
Ele: "Para, vai!"
Ela: "É só isso que você sabe dizer?"
Ele: "Não! Eu quero dizer que não tem sido fácil a vida aqui, e tem ficado pior com uma louca neurótica que só sabe reclamar e impor as suas vontades!"
Ela: "Você não me escuta, não está nem aí pra tudo o que deixei pra trás para te acompanhar!"
Ele: "Tudo bem, a gente volta, eu procuro outro emprego."
Ela: "Eu quero o divórcio!"
E as crianças só queriam ficar em casa, na sala, com todo mundo junto. A pequena curtindo suas coisinhas. O pequeno "quebrando" qualquer brinquedo novo. Mas os dois querendo ver papai e mamãe em paz, conversando sobre como foi o dia. Papai falando de como tinha sido difícil lidar com Fulano de Tal. Mamãe interpretando o comportamento do colega, que - segundo ela - é invejoso. E, no fim, os dois olhando enternecidos para os filhotes e agradecendo que tem um ao outro...
Você pode ter achado essa conversa machista demais. "Por que, no exemplo, papai trabalha e mamãe está em casa?"
Realidade, baby...
Mas antes de falar qualquer coisa, tire - por favor - esse seu sutiã - de ferro...
Post dedicado aos meus sogros, que foram a base da formação de um grande homem!
Imagem: SXC