quinta-feira, 30 de abril de 2009

X! Entrevista. Imposto de Renda.

Olá, X!
A poucos horas do prazo limite para a entrega da declaração do imposto de renda, ainda tem expatriado remando duro por aí em busca de informações para preencher o formulário.
O assunto já foi abordado aqui e aqui, mas como sempre sobram algumas dúvidas...
Dessa vez, a orientação vem do advogado tributarista do Cenofisco, Lázaro Rosa da Silva.
Outras informações na página da receita federal, aqui.


X - Em quais situações o expatriado deve recolher imposto no Brasil sobre bens e rendimentos obtidos no exterior?
LS - Desde que seja contribuinte brasileiro, em qualquer circunstância por ocasião do recebimento do rendimento.


X - Qual é a alíquota que incide sobre os ganhos externos?
LS - Os rendimentos recebidos do exterior estão sujeitos ao carne leão no mês do recebimento. O imposto é calculado pela aplicação da tabela progressiva vigente na ocasião do recebimento. Portanto, em 2008, as alíquotas correspondem a 0%, 15% ou 27,5%, conforme o montante auferido.

X - Qual a regra usada para a conversão em Real dos valores obtidos em outra moeda?
LS - A conversão deve ser feita pela cotação do dólar de compra do último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento.

X – De alguma forma, a taxação que o capital já sofre no exterior pode ser usada no abatimento do imposto no Brasil?
LS - Sim, se o país de origem mantiver com o Brasil acordo para evitar a bitributação ou de reciprocidade.

X - A entrega da Declaração de Saída Definitiva isenta o expatriado de recolher imposto no Brasil sobre os ganhos no exterior?
LS - A Declaração de Saída Definitiva é entregue somente pelo contribuinte brasileiro que pretenda sair definitivamente do País. Portanto, não é instrumento que possa conceder isenção.

X - No que se refere ao expatriado, qual a punição em caso de não comprimento das regras tributárias?
LS - O não cumprimento das regras tributárias pode impedir a pessoa de praticar alguns atos da vida civil, seja brasileiro ou expatriado, como, por exemplo: obtenção de empréstimos; movimentação de conta corrente bancária; obtenção de crédito para compra a prazo; recebimento de prêmios de loterias, etc.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Expatriação e qualidade de vida, as melhores cidades para viver.

Olá, X!
Dizer que Viena, na Áustria, ou Zurique e Genebra, na Suíça, estão entre as cidades que oferecem a melhor qualidade de vida para o expatriado é como recorrer ao “subir para cima”.
Não é de hoje, aliás, que as cidades européias são as que mais colaboram para deixar ainda mais atrativo o pacote de transferência de profissionais.
É isso o que diz a pesquisa “Qualidade de Vida 2009”, produzida pela consultoria Mercer.
O trabalho envolve a avaliação de 215 cidades e considera fatores como estabilidade política, índice de criminalidade, liberdade de expressão e oferta de lazer.
A canadense Vancouver é o melhor lugar das Américas. Montevidéu, no Uruguai, está no topo da lista na América do Sul. Rio de Janeiro ocupa a posição número 117 e São Paulo está em 118º. lugar da classificação geral .
Na Ásia, a australiana Sidney é a referência em qualidade. Dubai, nos Emirados Árabes, é a melhor cidade para se viver no Oriente Médio.
Já Moscou - na Rússia, Havana - em Cuba - e Bagdá - no Iraque - estão entre os piores endereços para o expatriado, aponta a pesquisa.
Isso significa dizer que atrair profissionais para essas regiões não é tarefa fácil e tende a piorar, dizem os especialistas, já que o momento é de orçamento apertado - o que pressupõe redução de benefícios e recompensas para quem é transferido para locais não tão fáceis de se tocar a vida.
O pesquisador sênior da Mercer, Slagin Parakatil, salienta que “como resultado da atual crise financeira, as multinacionais estão procurando rever suas políticas de expatriação com a finalidade de redução de custos.”
A novidade nessa edição da pesquisa é a lista dos locais que oferecem melhor infra-estrutura, como fornecimento de eletricidade, disponibilidade de água, serviços telefônicos e postais, transporte público, congestionamentos de trânsito e a disponibilidade de vôos internacionais partindo dos aeroportos locais.
A partir dessa análise, o mapa dos melhores locais para se morar muda um pouco. As asiáticas Cingapura, em Cingapura, Tsukuba e Yokohama, no Japão, dividem o topo da lista com Munique, na Alemanha e Copenhagen, na Dinamarca.Rio e São Paulo ocupam as posições de número 100 e 106, respectivamente. Bagdá tem os piores serviços básicos.
Imagem: SXC

terça-feira, 28 de abril de 2009

Gripe Suína.

Olá, X!
Impossível não tratar da gripe suína por aqui.
Então vamos lá.
Países com casos confirmados da doença:
Canadá, Estados Unidos, México, Costa Rica, Alemanha, Áustria, Dinamarca, França, Espanha, Holanda, Irlanda, Nova Zelândia, Reino Unido, Suíça, Israel, Coreia do Sul e China.
No Google maps é possível acompanhar em tempo real as cidades que têm, inclusive, casos suspeitos da doença. Clique aqui para acessar o mapa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde os sintomas da gripe suína são:
- febre repentina, superior a 38ºC, acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas:
- tosse,
- dificuldade respiratória,
- dor de cabeça,
- dores musculares e nas articulações.

Todos que estão - ou estiveram nos últimos 10 dias - nas áreas afetadas devem ficar atentos aos sintomas.
Embora o diretor da OMS, Keiji Fukuda, tenha dito que fechar fronteiras ou restringir viagens tem muito pouco efeito na contenção do vírus da gripe suína, a orientação geral é que se evite ir para regiões com casos da doença.
Para quem está em alguma das áreas afetadas, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda (outras informações aqui):

-Usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante toda a permanência em áreas afetadas.
- Substituir as máscaras sempre que necessário.
- Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.
- Evitar locais com aglomeração de pessoas.
- Evitar o contato direto com pessoas doentes.
- Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
- Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
- Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens recentes às áreas afetadas.
- Não usar medicamentos sem orientação médica.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A arte de transitar.

Olá, X!
Já conversamos aqui sobre a importância de se conhecer alguns códigos sociais e regras de etiqueta. Não que isso vá fazer de alguém uma pessoa melhor ou pior, mas aprendemos - ou, em algum momento da vida, percebemos - que saber transitar por aí é um bom recurso para reduzir o estresse nos relacionamentos.
Visitando outros mundos, encontrei mais algumas dicas que podem ajudar a deixar mais agradável o percurso de expatriadas e expatriados mundo afora.
Na página Chic, a consultoria Gloria Kalil diz que conhecer, por exemplo, sobre o que se costuma comer e vestir no país de destino já é um bom começo para evitar constrangimentos para nós mesmos. Veja o vídeo aqui.
Interessante pensar nos costumes. Outro dia uma japonesa me perguntou se eu sabia o que queria dizer o cumprimento entre duas americanas, que - ao se despedirem - trocavam um breve abraço.
Eu não entendi muito bem a dúvida dela, porque para mim o abraço sempre teve um significado global: amizade, que pressupõe uma certa intimidade.
Ela fez aquele sinal de positivo com a cabeça, movimento bem comum - aliás - entre os japoneses, que ainda não descobri se quer dizer que a pessoa concorda, que está entendendo ou quer mesmo é deixar o assunto para lá.
Enfim...
Para tentar evitar qualquer mal-entendido, devolvi o sim com a cabeça e tentei - mas não consegui - esconder meu sorriso com a mão. Me limitei, na despedida, a acenar a uma certa distância...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Como comprovar a fluência?

Olá, X!
Dias desses conversamos aqui sobre o que pode definir a fluência em um idioma. Basicamente, dizem os especialistas, somos fluentes quando a comunicação acontece naturalmente.
Partindo do pressuposto de que a gente aprende a falar ouvindo, viver no meio dos “nativos”, acompanhando de perto - por exemplo - ritmo e entonação nas conversas, pode ajudar e muito esse processo.
Por isso tem aumentado a quantidade de brasileiros em classes estrangeiras. Pelas contas da Brazilian Educational & Language Travel Association, no ano passado, 120.000 embarcaram para o exterior com o objetivo de aprimorar um outro idioma. O número é quase 40% maior que em 2007.
Interessante perceber que isso não é mais decisão restrita ao universo adolescente ou de recém-formado. A turma que passa dos 40 também tem frequentado essas aulas ministradas em outro país.
Lindo! Mas o fato é que, além, de muita gente não poder embarcar nessa viagem, dizem que passar uma temporada fora ainda não é o suficiente para comprovar para o mundo o nível de fluência.
Na edição dessa semana, Veja aborda o tema em forma de guia. A revista traz um apanhado dos principais testes de proficiência em inglês, espanhol, francês, italiano e alemão.
Segundo o texto, esses certificados são uma prova importante de que o sujeito é capaz de entender e ser entendido em uma língua estrangeira. “No universo corporativo, praticamente todo mundo arranha o inglês, e é comum destacar no currículo o "inglês fluente". O diferencial está em provar que, de fato, se domina outra língua”, salienta a reportagem.
Mas no fundo, no fundo mesmo, só a gente sabe o quanto a gente consegue “passear” por outro idioma. Tive um professor que costuma fazer a ligação direta entra emoção e fluência. “Conseguir comunicar sentimentos sinceros em outra língua é um bom referencial de que a pessoa está realmente envolvida com o idioma”, diz ele.
E você, o que acha disso? Deixe sua opinião, clicando em comentários logo abaixo, ou mande um e-mail para expatriadas@hotmail.com .
Imagem: SXC

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cinco perguntas e uma boa supresa! França e Alemanha.

Olá, X!
Eu não sei se acontece com todas, mas tenho percebido que muitas Xs! têm um profundo desejo de comunicar, de falar, de dar dicas. E assim a gente se depara com muita coisa interessante e pra lá de útil. Dia desses, por exemplo, a Silvia - Silvinha para os blogueiros - trouxe um guia bem didático sobre o transporte coletivo em Berlim. Um apoio e tanto, já que o senso de direção parece ficar bem lelé quando somos recém-chegados ao desconhecido. "Às vezes podemos ajudar alguém mesmo sem conhecer a pessoa," diz.
Silvia está fora do Brasil há 2 anos e meio. O motivo? Os estudos, ela e o marido são pesquisadores. A experiência "expatriática" dela começou em Paris, onde ficou por um ano. Em seguida, embarcou para Alemanha. É de lá que Silvia conta como tem sido a vida de estrangeira.
Antes de começar, ela traduz a frase na foto: assim começa um belo dia!
Obrigada, ou Vielen Dank, Silvia!

Cinco Perguntas:
X - Como foi o processo até você realmente se sentir em casa em outro país, ou isso nunca aconteceu?
S - Foi um processo longo, com dias melhores - nos quais eu não me canso de falar como a vida pode ser boa aqui, e piores - quando uma grosseria me desmonta, por exemplo. Mas hoje posso dizer que eu me sinto em casa. Acho que eu senti isso na primeira vez em que uma pessoa me pediu informação na rua e, além de eu entendê-la, efetivamente dei a informação!

X - O que é ou foi mais difícil durante a sua expatriação?
S - A língua, certamente. Penso que se estivesse num país de língua inglesa teria me adaptado com muito mais facilidade.

X - O que faria diferente?
S - Eu tentaria manter as expectativas baixas. Meu primeiro destino foi Paris, e, embora eu soubesse que teria de viver num apartamento pequeno e caro, eu não imaginava que as coisas pudessem ser tão difíceis. Para quem chega sem conhecer absolutamente ninguém, deparar-se com exigências para alugar um apartamento, como fiador com casa própria e emprego estável, é complicado.
Acostumar-se à imensa burocracia francesa, à falta de gentileza, às pessoas que bateram o telefone na minha cara quando eu procurava apartamento ao saberem que eu sou brasileira, não foi nada fácil. Tampouco ter de pagar mais do que o normal para ter um alojamento, pela simples falta de opção.
Já o meu estabelecimento na Alemanha não poderia ter sido melhor. Então a lição a ser tirada é que ter algum contato, um apoio, ainda que mínimo no país ao qual você se destina, é muito importante. Para quem chega sem nenhum vínculo, pode ser incrivelmente difícil.

X - Toparia ser expatriada de novo?
S - Dependendo do país, com certeza! O crescimento que se ganha individualmente e como casal e o contato com o diferente são enriquecedores. Além do mais, eu adoro viajar.

X - Quais expectativas se concretizaram e quais viraram pó depois da mudança?
S - Estabelecer-me num lugar seguro era a principal expectativa. Sair na rua sem precisar agarrar a bolsa (ou carregar um aparelho de choque dentro dela), com relógio e aparelhos eletrônicos sem medo de ser furtada. Eu ainda não cansei de me admirar com os caixas automáticos nas ruas, ao alcance de todos. E também não precisar desconfiar se um determinado prestador de serviço está te enganando.
O que não se confirmou? Bem, nada é perfeito. Quanto mais utópica for sua visão, maior é a decepção. E também percebi o quão é difícil viver longe da comida brasileira :)

A boa surpresa:
Foi eu me adaptar muito mais facilmente à sociedade alemã do que à francesa. Pois os alemães são comumente vistos como frios e distantes, têm um peso histórico enorme a carregar, e os franceses não. Mas, no final das contas, aqui eu me deparei com muito mais simpatia, tolerância e uma retidão inquestionável.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Estranho lar.

Olá, X!
Se tem um assunto que está sempre em pauta para nós Xs!, mesmo que a gente não perceba, é a casa, o endereço.
Interessante é que tem casa pra tudo nessa vida! Casa da moeda, casa de botão, casa numérica, casa das máquinas, das caldeiras, casa dos 30, casa-da-mãe-Joana, casa da sogra, casa de câmbio, casa de detenção, casa do zodíaco, Casa-Grande, casa de apostas, casa de praia, casa térrea ...
E há vários nomes para casa. Sobrado, apartamento, quitinete, mansão, loft, lar, barraco, república, sem contar em goma, cafofo, quebrada, gruta...
O que fico pensando é: se existem tantos tipos de casa, se há tantas possibilidades, se vivemos na era da busca insana pelo "novinho em folha", por quê resistimos tanto em mudar de endereço? Claro que não falo aqui da falta de opção, de dinheiro, de vontade mesmo, já que mudança é um pé...
Em “Me Larga”, o psiquiatra Marcel Rufo dá algumas pistas que podem justificar a aversão à mudança. Ele ressalta que a casa é o nosso primeiro universo. “Com suas fundações indispensáveis, sua verticalidade, seu telhado que se eleva para a luz, a casa evoca então a construção de si. Entre o porão (as origens) e o sótão (os sonhos, as aspirações) habita o sujeito, o eu. A casa é um espaço protegido onde os pensamentos ricocheteiam nas paredes antes de voltar para nós, criando um vaivém entre interioridade e exterioridade. Entre as paredes da nossa casa, às vezes estamos sós, às vezes acompanhados. Mas estamos sempre em casa”, diz.
Vejo então que a casa é uma questão de tempo. O problema é quando não há tempo, ou não se dá tempo, para essa contrução...
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terça-feira, 21 de abril de 2009

X! Entrevista. Seu dinheiro.

Olá, X!
Em meio a um período de rendimentos escassos, de nó na garganta nas bolsas e de disposição do governo em taxar a poupança, Xs! espalhados pelo planeta - não apenas nós, claro - seguem em busca de alternativas para, ao menos, proteger o que se tem no porquinho.
Como a distância costuma embaçar impressões e sensações, a saída foi buscar auxílio entre os especialistas em finanças pessoais.
O consultor Gustavo Cerbasi - autor dos livros Casais Inteligentes Enriquecem Juntos e Investimentos Inteligentes - é o nosso guia de hoje nessa viagem por alguma direção.
Aproveite!

X - Imóvel, ouro, poupança, renda fixa, ações. Tem especialista que diz que essa é a hora de se proteger, outros dizem que o momento é bom para arriscar. Que orientação o sr. dá para o brasileiro que vive em outro país, mas tem dinheiro no Brasil?
GC - A proteção e a busca do risco para obter resultados diferenciados devem andar sempre juntas. O ideal é ter a maior parte de nossa poupança investida com muita segurança, em renda fixa, ouro ou imóveis para aluguel, e uma parcela menor de nossos investimentos em renda variável, como ações e imóveis em construção ou para revenda. As alternativas de renda variável sempre se transformam em boas oportunidades durante as crises, e não devem ser desprezadas. Para saber quanto poupar em uma e em outra alternativa, uma regra que sigo e recomendo é a chamada regra dos 80, em que devemos subtrair nossa idade do número 80. O resultado da conta é o percentual de nossa carteira de investimentos que deveria estar em renda variável, indicando que devemos nos tornar mais conservadores à medida que envelhecemos.

X - O fato de ter conta em mais de um país pode ser usado pelo expatriado como uma estratégia de diversificação, reduzindo os riscos e as chances de perdas? Como? Pode-se falar em percentuais, que parcela o sr. sugere deixar no Brasil e quanto no exterior?
GC - O fato de o Brasil ser uma economia em desenvolvimento com fundamentos bastante sólidos, já testados durante uma grave crise, faz do país um porto seguro. Por ainda estar em um processo de consolidação de seu desenvolvimento, seus títulos públicos rendem bem e as ações são promissoras. Apesar de uma tendência de queda na rentabilidade desses ativos, ainda há muita margem de ganho acima dos mercados desenvolvidos, porém, com grande volatilidade presente, o que incomoda quem está acostumado com mercados mais estáveis. Quem poupa com objetivos bem estabelecidos, deveria deixar no país em que trabalha os recursos para as reservas de emergências e para as compras de curto e médio prazo, e enviar ao Brasil os recursos para usos previstos no longo prazo. Porém, há duas ressalvas: o envio internacional de recursos não é barato, por isso recomenda-se enviar o dinheiro em grandes lotes, após certo acúmulo. E quem não tem planos de retornar ao Brasil deve ter uma reserva maior no país em que vive, permitindo o crescimento de seu relacionamento bancário local.

X - Atualmente, quais economias o sr. considera mais arriscadas para manter investimentos?
GC - As economias que foram muito liberais no controle do mercado financeiro foram as que mais levaram seus investidores a perdas, sendo também as que mais estão socializando prejuízos nessa fase de recuperação. No atual estágio da crise, não é correto apontar que uma economia tem mais risco do que outra, porque o risco está, na verdade, nas empresas. Porém, direcionar as reservas financeiras para um país que foi menos afetado pela crise, como o Brasil, significa contar com uma provável recuperação mais rápida nos investimentos.

X - A crise pode ter diminuído o ritmo de transferências, mas ainda há empresas expatriando. Que orientações financeiras o sr. dá para quem se prepara para deixar o país?
GC - A recomendação é que não se faça planos de mudança definitiva antes de viver pelo menos 12 meses no exterior. Muitas pessoas não se acostumam com a falta da família e de seus hábitos, e por isso é sempre recomendável deixar as coisas preparadas para uma possível volta. Em termos financeiros, significa manter uma poupança no Brasil, equivalente a, pelo menos, três ou quatro meses do consumo pessoal, necessários para uma possível recolocação. Também é recomendável viajar com reservas para se manter por pelo menos três meses, permitindo ao expatriado se estabelecer em uma atividade que lhe interesse, sem a pressão das contas para pagar. Na prática, é como montar uma empresa: não basta o investimento na empreitada; é preciso contar com algum capital de giro, para que suas escolhas sejam racionais, e não emotivas.

X - E quanto ao caminho inverso, que dicas o sr. dá para o expatriado que se prepara para voltar ao Brasil? Vale a pena manter investimentos fora?
GC - Normalmente, a decisão de voltar ao país é mais definitiva do que a de partir. Nesse caso, desmontar a estrutura de vida mantida no exterior é uma escolha menos arriscada. Quanto à uma eventual poupança formada e investida fora do país, é preciso levar em consideração se a família não voltará a fazer viagens internacionais, podendo contar com esse conveniente saldo no exterior, tanto como forma de ter liquidez em gastos fora do país, quanto como forma de diversificação de risco nos investimentos.

X - Gostaria de acrescentar algo?
GC - É importante ressaltar que a atual solidez econômica da economia brasileira diferencia o país como oportunidade de multiplicação de poupança. O que diferencia um país emergente de país mais desenvolvido, em termos de comportamento dos investimentos, é a maior volatilidade, ou sobe-e-desce dos indicadores. Isso é decorrência do menor tamanho dos mercados, o que faz com que as decisões de grandes investidores tragam maior impacto de curto prazo. Porém, as boas perspectivas do país nos induzem a reconhecer que, após algum tempo, teremos muito mais subidas do que descidas nos indicadores.

X – Além de seus livros, faz alguma sugestão de leitura?
GC - Além dos seis livros que tenho publicados, incluindo Cartas a um Jovem Investidor, para quem está começando, e Investimentos Inteligentes, para quem já procura montar uma estratégia de se diferenciar da média dos investidores, recomendo a leitura dos livros da Coleção Expo Money, todos escritos pelos maiores especialistas em finanças pessoais do Brasil e revisados por mim. Mais informações sobre todos esses livros pode verificar as sinopses que publiquei em meu site, http://www.maisdinheiro.com.br/livros/

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Expatriação e reviravolta, nem todo mundo quer...

Olá, X!
A não ser que você entre em coma ou decida se fechar em uma mala, penso ser impossível alguém sair ilesa, ou ileso, do processo de expatriação. A reviravolta acontece por dentro e por fora.
Esteticamente falando, a globalização das tendências facilita muito a vida de quem partiu para longe. Saber que seu guarda-roupa, ou uma boa porção dele, vai “caber” em outra língua economiza tempo, dinheiro e horas daquele lenga-lenga interno: “será que estou muito exótica?”
Mas existe alguma coisa, que eu ainda não sei dar nome, que - mesmo com tal uniformidade estética - faz da moda de cada país algo absolutamente particular.
Não sei se é o estilo, pode ser o corte ou tecido. Seriam as cores? Aqui tudo parece mais vivo e gritante. Será que os chineses carregam mais na tinta nas peças que vem para a casa do Tio Sam?
Isso é quase “desimportante”. O que incomoda mesmo é que eu já não sei mais dizer o que vai contra a minha definição de belo. Ao mesmo tempo, não tenho mais uma ideia clara - como achava que tinha no Brasil - sobre padrões estéticos.
A certeza é que, no que se refere à aparência, vou voltar bem diferente. Já mudei corte e cor do cabelo, revolucionei o estilo dos sapatos, deixei o closet mais descontraído, talvez porque esteja em uma fase de ausência de compromissos profissionais, enfim...
Quanto à reforma interna, bem, é esse o aspecto que mais trato nesse ambiente. Sempre que tenho a oportunidade não deixo de contar como essa experiência “expatriática” tem mexido com minha mente e meu coração.
Xs! que encontro por aí dizem o mesmo, que a mudança vem, o que varia é a velocidade.
A questão é saber se a gente quer mesmo passar por isso. Acho que é uma reflexão justa. Já comentei aqui que a expatriação tem uma aura de coisa boa, e penso que essa super expectativa que se levanta em torno dela pode minar um processo que, para ser rico, deveria ser iniciado com responsabilidade.
Na última X! entrevista, que trata da vida profissional dos expatriados, a especialista em transição de carreiras, Elaine Saad, fala sobre a importância de pensar com carinho na proposta de expatriação: “ simplesmente ir embora sem se ter certeza que a chance é realmente de crescimento e desenvolvimento é um ato impensado, muito comum antigamente, mas que não se aplica mais para o Brasil de hoje.”
Por isso, nada de culpa por ousar pensar que a expatriação pode não ser para você.
Além disso, Elaine acrescenta que o Brasil passa por uma fase de muitas oportunidades.
Pelo jeito, tem até gringo percebendo isso. O Ministério do Trabalho e Emprego concedeu 43.993 autorizações de trabalho para estrangeiros em 2008, o maior número em cinco anos.
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Imagem: SXC

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Cinco perguntas e uma boa surpresa! Índia.

Olá, X!
Já disse aqui como essa experiência “expatriática” vem me proporcionando uma outra viagem: a “bloguística”. Muitas vezes, os blogs - alguns em forma de diário pessoal, outros com jeitão de guia mesmo - funcionam, pelo menos em Português, como a principal fonte de informação para quem está longe de casa.
E foi “blogando” por aí que encontrei o Indi(a)gestão. A página traz a visão de Sandra Bose sobre a Índia. Com posts diários, a psicanalista procura ir além das informações geralmente disponíveis, como as que indicam que a Índia é o segundo país mais populoso do planeta - com 1 bilhão de habitantes - e a 10ª. economia industrializada do mundo.
Sandra partiu por amor, “deixei o Brasil e vim para Índia somente para casar-me com um indiano”, diz.
Há dez anos na capital Nova Delhi, os últimos três relatados no blog, Sandra dá a dica para quem prepara a mudança para esse país asiático: “creio ser muito importante a pessoa pesquisar extensivamente antes de vir para a Índia, para quando aqui chegar não levar um choque cultural muito grande. Om Shanti.”
Obrigada, Sandra! Paz e Luz para você também!
Voltando ao assunto “internético”, parto amanhã para um simpósio de jornalismo digital na “capitar” Austin. A gente volta, então, a conversar na segunda!

Cinco Perguntas:
X - Como foi o processo até você realmente se sentir em casa em outro país, ou isso nunca aconteceu?
SB - Namaskar.
Isso ainda não aconteceu. Apesar de 10 anos na Índia, ainda não me "sinto em casa", sinto-me somente um pouco mais adaptada. A diferença cultural é muito grande, os costumes, hábitos, alimentação, etc são realmente MUITO diferentes. Não é fácil sentir-se em casa na Índia.

X - O que é ou foi mais difícil durante a sua expatriação?
SB - A falta de informações honestas e precisas sobre a Índia foi o mais difícil. Vim para cá sem conhecer a verdadeira Índia e acabei tomando um enorme susto!! As reportagens sobre a Índia são sempre artificiais, ninguém tem coragem de mostrar e falar a verdade como faço no Indiagestão. Se alguém naquela época tivesse tido a coragem que eu tenho de expor a Índia como ela realmente é, não sei se teria vindo para cá; mas em 1999 a Internet era ainda muito primitiva, não se tinha MSN, blog, Orkut, redes de amizade, NADA. Tive que me virar sozinha com as ridículas informações que encontrei nos websites patéticos de turismo. Nem mesmo as embaixadas e consulados tinham websites naquela época!

X - O que faria diferente?
SB - Não teria vindo à Índia se soubesse naquela época como este pais realmente é no seu dia-a-dia.

X - Toparia ser expatriada de novo?
SB - Claro que sim. Depois que se mora na Índia, consegue-se morar em qualquer lugar do mundo!

X - Quais expectativas se concretizaram e quais viraram pó depois da mudança?
SB - O que se concretizou foi meu casamento com o Swapan, pois vim para a Índia somente para casar-me com ele.
O que virou pó foi a ideia de uma Índia limpa, civilizada, espiritualizada e zen. Descobri que a Índia é absolutamente o oposto do que costumam escrever sobre ela. Na verdade, poucos jornalistas vêm aqui conhecê-la pessoalmente e somente reproduzem as asneiras que foram escritas na década de 60 quando os ocidentais "redescobriram" a Índia.

A boa surpresa:
A boa surpresa com certeza foi ver a beleza e a grandeza dos monumentos históricos indianos com seus fortes, palácios e tumbas magnânimos! Sou apaixonada pela história do norte da Índia e por sua arquitetura. Foi com os pés em uma cidade cercada que finalmente me caiu a ficha das minhas aulas de história na sétima série, sobre o Feudalismo. Poder ver, sentir e tocar um antigo feudo é um verdadeiro orgasmo para mim. Compro, leio e estudo livros de história sobre a Índia. Absolutamente amo tudo isso!!
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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Esse jeito prático de ser...

Olá, X!
Se tem uma lição que tenho aprendido em terras estrangeiras é não levar tanto para o lado pessoal as atitudes e as relações que preenchem nosso dia-a-dia. Isso pode assustar em um primeiro momento. Afinal, como diz a consultora de expatriados - Mariana Barros - o brasileiro traz do berço que tudo é uma questão muito pessoal, do te amo do parceiro ao bom dia do porteiro do prédio da esquina.
Você pode perguntar: “e não é?” Um oi mais frio já faz brotar aquele zunido interno: “nossa, que será que eu fiz, que eu falei, que eu gesticulei para fulana me tratar assim?”
Mas se você aceitar a manter - por um período ao menos - a percepção à flor da pele, pode ter a grata surpresa de constatar que - geralmente, e em qualquer lugar do mundo - a atitude alheia tem pouco a ver com o seu comportamento. O que eu desconfio é que as respostas são mais influenciadas por circunstâncias que variam do modo como o ser foi criado à maneira como ele lida com as próprias angústias e frustrações.
Confesso que demorei para não me irritar com gente que não sorri antes de responder ao meu cumprimento. Só relaxei depois que aceitei que o povo por aqui só é econômico em sorrisos, e com todo mundo.
Também fiquei indignada certa vez com o comentário de uma professora depois que agradeci pelas várias dicas sobre um estudo: “esse é meu trabalho”, disse ela. Pensando bem, é mesmo, mas não precisava falar assim...
Aos poucos é possível perceber que tais atitudes não estão no campo da má educação, estão mais relacionadas à secura e ao que os americanos se gabam de classificar como praticidade.
Claro que a sensibilidade ainda me permite identificar em que momento tal característica dá lugar à grosseria. Sei muito bem quando alguém me trata mal sem pudor, que joga aquele olhar de desdém, de peixe morto mesmo, diante da minha fala. Esse é mais um motivo, então, se não for o mais importante, para recorrer ao jeito “não é pessoal” de ver a vida.
Não sou ingênua de pensar que aspectos como origem e condição social não acionem o lado escuro da força entre os nativos, só aprendi que não sou EU especificamente que dispara uma reação mais agressiva, mas um grupo todo. Na visão de um desempregado, todo imigrante que trabalha será uma afronta. Todo branco vai ser insuportável para o negro massacrado pela discriminação racial. Alguém com um pouco mais de recursos vai ser odiado por aquele que passa fome...
Eu só me vigio para que esse modo de pensar não diminua minha massa crítica, não apague minha indignação, não me faça acreditar que a vida é, definitivamente, melhor quando se é prático...
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Imagem: SXC

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mas o que é essa tal de fluência?

Olá, X!
A última edição da revista Você SA traz um “causo” que mostra como, apesar de tanto investimento no aprendizado de outras línguas, ainda vivemos em uma Torre de Babel.
A história é mais ou menos assim: indianos - os fornecedores - e franceses - os clientes - não estavam conseguindo se entender. Aí um colombiano entrou em cena e montou uma equipe brasileira de suporte de tecnologia. O mais difícil? Encontrar brasileiro fluente em francês.
Aliás, a fluência em um outro idioma, diz a reportagem, continua sendo o principal gargalo para a exportação de talento nacional.
Parei aí. Mas o que é, afinal, essa tal de fluência que muita gente fala que tem, mas que dizem ser tão difícil de encontrar?
O dicionário aponta que algo fluente tem a qualidade de natural e espontâneo.
Clicando por aí, descobri que a coisa é muito mais complexa. Encontrei - inclusive - um instituto que trata exclusivamente sobre o tema.
Os estudiosos do assunto explicam que “de forma geral, quanto mais a pessoa for fluente, menos atenção precisa voltar à fala. A fluência simplesmente acontece, sem que a pessoa saiba explicar exatamente por que ou como consegue.”
Os especialistas acrescentam que hesitação, pausa e velocidade não são, necessariamente, marcadores de uma fala fluente. A fluência está mais relacionada ao uso correto da gramática, de palavras dotadas de conteúdo e até do esforço físico ao se expressar.
Então, resumo fluência assim: você fala, consegue se fazer entender, sem ficar morta depois da conversa.
E de pensar que, às vezes, não conseguimos isso nem na nossa própria língua...
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Imagem: SXC

segunda-feira, 13 de abril de 2009

X! Entrevista. Mercado de trabalho.

Olá, X!
Se você está na chamada situação “atriz/ator coadjuvante”, a decisão de partir para uma vida em terras estrangeiras requer muito desapego, principalmente quando o assunto é vida profissional.
A promessa de enriquecimento cultural, social e emocional não emudece aquela pergunta: “como vai ser quando eu voltar para o mercado de trabalho brasileiro?”
Como a gente não precisa, e nem sempre consegue, buscar todas as respostas sem ajuda, conversei com a especialista em transição de carreiras e gerente geral da Right Management no Brasil, Elaine Saad.
Ela comenta como o mercado avalia a decisão de deixar o emprego para acompanhar alguém e fala de algumas estratégias para turbinar o currículo, mesmo com a carreira de molho.
Aproveite!

X - Como o mercado avalia o fato de alguém decidir fazer uma pausa na carreira para acompanhar o parceiro que foi expatriado?
ES - Depende da carreira da pessoa, sua experiência anterior e a que nível ela chegou. Infelizmente isso ainda é mais comum para o sexo feminino, mas mesmo para a mulher afastar-se do mercado não é decisão fácil, pois certamente criará uma dificuldade na hora de retornar. O melhor seria tentar, de alguma forma, dar continuidade à sua atividade ou a algo similar a ela no país para qual o cônjuge foi transferido.

X - Como manter portas abertas, apesar da distância?
ES - Acho que uma forma seria deixando a rede de network ativada, ou seja, mantendo contato com as pessoas conhecidas, sabendo do mercado, do que está se passando, do movimento das pessoas, do que está sendo valorizado, etc...O contato com a rede local é o mais imprescindível para ser mantido.

X - Como valorizar a vivência no exterior, mesmo que o profissional tenha passado esse período longe do mercado?
ES - Destacando-se atividades que possa ter desenvolvido, nem que tenham sido sem fins lucrativos, voluntárias ou algo do gênero, pois muitas vezes o cônjuge não tem visto de trabalho. Essas atividades, mesmo que muitas vezes não tenham ligação direta com a atividade anterior da pessoa, demonstram iniciativa, atividade em que a pessoa se manteve atuante.

X - Quem acompanha um profissional expatriado nem sempre está preparado para chegar em outro país e já trabalhar. Estudar idiomas, investir em uma pós - como mestrado ou MBA - fazer cursos livres ligados à profissão e ser voluntário são as estratégias mais comuns para enriquecer o currículo. A Sra tem outras sugestões para que o profissional se mantenha competitivo, mesmo fora do mercado?
ES - Estas são as mais comuns. Já vi algumas outras como: fazer trabalhos artísticos, dar aulas de idiomas em casa, ajudar novos estrangeiros a se ambientar no país quando chegam, montar grupos de discussão entre os acompanhantes dos expatriados para troca de idéias e experiências.

X - A crise tem antecipado a volta de muitas famílias. Que tipo de cenário os repatriados vão encontrar na corrida por uma vaga?
ES - Podem encontrar dificuldade principalmente se ficaram muito tempo afastados do país e do seu mercado. Terão também que enfrentar questões sobre o que fizeram durante todo o tempo em que estiveram acompanhando o cônjuge.

X - No caminho inverso, caso haja proposta de partida, quais sugestões a Sra faz para quem deixa o mercado em meio à tamanha turbulência?
ES - Avaliar MUITO bem a oportunidade. O Brasil é hoje um país de oportunidades ainda maravilhosas, ou seja, simplesmente ir embora sem se ter certeza que a chance é realmente de crescimento e desenvolvimento é um ato impensado, muito comum antigamente, mas que não se aplica mais para o Brasil de hoje.

X - Tem algo a acrescentar?
ES - Que as pessoas não se isolem, não se fechem, continuem em contato com sua rede profissional e com seu país de origem.

X - Faz alguma sugestão de leitura?
ES - Sugeriria que se atualizassem com leitura de jornais normais, diários ou revistas
mensais, sobre a situação política econômica do seu país, isso ajuda muito a acompanhar o que está acontecendo.

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Brasil com Z.

Olá, X!
Que tal uma passada no Brasil com Z?
A conversa por lá hoje é sobre destinos interessantes.
Em tempos de crise e com o dólar lá em cima, sei que zanzar por aí, ainda mais pelo Texas, não é prioridade, mas vai que um dia você tenha que desembarcar por essas bandas...
Se acontecer, não deixe de aproveitar o que a cidade tem de melhor: comida, artes e um anoitecer todo especial...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Expatriação e aluguel. As cidades mais caras para morar.

Olá, X!
Um tópico que - geralmente - não escapa da planilha de custos do expatriado é o aluguel. Livre-se do senso comum de que Londres, Paris ou Nova York têm as moradias mais caras, isso para quem vive longe do ninho.
Se você está atualmente em Moscou, saiba que essa é a cidade onde os inquilinos estrangeiros mais pagam para morar.
O dado está na pesquisa “Custos de aluguel de imóveis para expatriados”, divulgada essa semana pela consultoria Mercer.
Tókio é o segundo endereço mais caro do mundo. O continente asiático, aliás, é o campeão em preços salgados. Das 50 cidades pesquisadas, 10 estão na região.
Londres segue como o lugar com aluguel mais alto na Europa, mas caiu cinco posições no ranking geral em relação à última pesquisa.
São Paulo caiu da 16ª para 27ª posição e o Rio deixou de ser o 20º endereço mais caro do mundo, agora é o 35º.
Um olhar específico sobre a América Latina revela que Caracas e Bogotá estão entre os lugares mais caros da região.
A consultoria usa um índice para fazer a classificação. A pesquisa envolve as cidades que mais recebem profissionais transferidos. O documento não fala em valores, mesmo assim, os coordenadores do estudo dizem que perceberam que os preços estão em queda. Motivo: crise. A conta é simples, medo da recessão + busca por segurança = aumento da procura por dólar. “Fortes variações no câmbio nos últimos meses tiveram forte impacto no custo comparativo de moradia para expatriados. O valor do euro caiu por volta de 12% em relação ao dólar americano desde setembro do ano passado, enquanto o zloty polonês, o dólar australiano, o real brasileiro, o peso mexicano e a libra britânica perderam mais de 30% em relação ao dólar durante o mesmo período”, explica Marie-Laurence Sépède, gerente de pesquisas da Mercer.
No que diz respeito a valores, os Estados Unidos são a exceção. Lá os aluguéis estão subindo. Resultado, segundo a pesquisa, da falência dos americanos. O mercado está agitado por aqueles que perderam a casa para o banco e passaram a buscar no aluguel a nova moradia.
Agora, indo para a base da tabela, sorte sua se você está em Johannesburg, África do Sul. A pesquisa mostra que a cidade tem o aluguel mais barato - ou menos caro para expatriados...
Imagem:SXC

quarta-feira, 8 de abril de 2009

X! Entrevista. Imposto de Renda.

Olá, X!
Depois da internet, parece que virou meio que obrigação a gente saber tudo, ou achar toda informação que precisa. Mas esse marzão é grande que só, e quantas vezes a gente sai dele sem muitas respostas? O expatriado Eduardo, que vive na Inglaterra, comentou dias desses sobre a dificuldade de encontrar informações mais completas para o contribuinte que vive no exterior. A gente já conversou sobre o tema aqui. Mas o assunto é complicado e rende! Na busca de mais esclarecimentos, encontrei Claudia Petit Cardoso. A advogada, especialista em direito tributário, fala mais sobre o tema nesse artigo. Sei que o assunto não é dos mais agradáveis, mas quem consegue fugir do leão? Obrigada Eduardo pelas perguntas. Espero que ajude!

Ed- Digamos que o cidadão, após 1 ano fora do Brasil, entregue a Declaração de Saída Definitiva. Após 10 anos morando no exterior, ele volta ao Brasil. E agora? A saída "definitiva" não foi tão definitiva assim, então o que ele deve fazer?
CC - A pessoa física que se retire, em caráter permanente do Brasil, sem a entrega da Declaração de Saída Definitiva do País ou em caráter temporário é considerada:

I - como residente no Brasil durante os primeiros 12 meses consecutivos de ausência;
II - como não-residente a partir do 13º mês consecutivo de ausência.

Ed - O repatriado vira residente automaticamente?
CC - Quando saiu nas condições acima expostas é tido como residente quem ingressa no Brasil:
a) com visto permanente, na data da chegada;
b) com visto temporário:

1. para trabalhar com vínculo empregatício, na data da chegada;
2. na data em que complete 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses;
3. na data da obtenção de visto permanente ou de vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses;

c) o brasileiro que adquiriu a condição de não-residente no Brasil e retorne ao País com ânimo definitivo, na data da chegada;

d) o brasileiro que se ausente do Brasil em caráter temporário, ou se retire em caráter permanente do território nacional sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, durante os primeiros doze meses consecutivos de ausência.

Ed - Quando o repatriado deve voltar a entregar a declaração de IR normalmente?
CC - Quando ele passar a ser considerado residente, nos casos da resposta acima.

Ed - O que acontece com os bens e a riqueza -acumulados nos últimos 10 anos no exterior? O cidadão terá que pagar imposto em cima disso?
CC - É preciso avaliar se os bens estão no Brasil ou não e se foram adquiridos quando era residente no Brasil ou não. A advogada fala mais sobre esse assunto nesse
artigo.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Cinco perguntas e uma boa surpresa! Noruega.

Olá, X!
Foi nesse ambiente de troca de informações e ideias sobre a vida de expatriada que entrei em contato com Maria Ribeiro.
A oferta profissional para o marido foi o que faltava para ela realizar o desejo de morar fora e ter outras experiências. Diferente de muita gente, que conta no calendário o dia da volta, Maria partiu para Oslo - capital da Noruega - sem a passagem de retorno.
Há sete meses longe, essa pedagoga tem feito mais que colecionar vivências. Pelo o que a gente conversa, percebo que ela tem ido fundo nesse processo de aprender na prática e sentir sem medo. Nesses últimos tempos, por exemplo, Maria tem se dedicado a estudar o universo das crianças expatriadas. Um desafio, já que o Brasil não tem muita pesquisa sobre o tema.
Interessante ouvir o que ela sentiu ao dividir com a gente parte desse processo, “aconteceu uma coisa engraçada, porque quando eu estava respondendo, passou um filme na minha cabeça com todos os fatos, a mudança, os primeiros meses aqui... Foi muito bom reviver esse início, que pode ter tido uma conotação ruim, mas que hoje reflete momentos de amadurecimento. Obrigada pela oportunidade”.
A gente é que agradece, Maria!

Cinco Perguntas:
X - Como foi o processo até você realmente se sentir em casa em outro país, ou isso nunca aconteceu?
MR - Meu processo não foi lento, como geralmente acontece. Eu acho que me adaptei rápido demais, o que foi uma surpresa para mim. Antes da mudança, eu pensava/imaginava que teria problemas, que ficaria doente, que choraria de saudade. Na verdade, o período entre o convite de trabalho, a decisão da mudança e a mudança foi muito curto. Não tivemos muito tempo, e ainda tinham as consequências dessa decisão, ou seja, pedir demissão no trabalho, entregar apartamento, casar, arrumar malas. Eu não pensava como seria morar na Noruega, como eu lidaria com o tempo, como seria comer outras comidas. Eu imaginava a mudança, mas não como seria a vida nos primeiros meses, quando os planos inicias mudaram. Então tive que buscar meus caminhos alternativas para lidar com os medos e as inseguranças. Eu me sinto em casa, tenho clareza que não sou norueguesa, mas tenho todos os direitos de um norueguês. Eu acho que isso ajuda bastante, ter os direitos respeitados e ter deveres a cumprir.

X - O que é ou foi mais difícil durante a sua expatriação?
MR - O mais difícil é e sempre será ficar longe da família e dos amigos. Isso até é possível amenizar. Com as ferramentas de comunicação online estamos sempre perto, mesmo longe. Quando estávamos organizando a mudança, foi difícil vender meus livros, não tinha onde deixá-los, eram muitos, então, resolvi vender parte deles, o que me fez chorar. Naquele dia senti a mudança, porque me desfazer de objetos foi fácil, mas dos livros foi dolorido. Depois, já com tudo organizado, casa arrumada, objetos no lugar, acho que foi difícil ocupar o tempo. Como eu não trabalho, me senti (talvez até sinta) meio perdida. Mas depois fui buscando coisas, mantive vínculos com alguns projetos no Brasil. Hoje, me falta tempo! Uma coisa que me ajudou muito no início foi aceitar a ideia que minha estada na Noruega não era limitada, não tinha data para acabar. Desde o início, eu pensava em projetos a longo prazo, pensava em uma mudança definitiva.

X - O que faria diferente?
MR - Acho que não viria com tanta expectativa em relação a uma determinada situação. No meu caso, tinha uma possibilidade de trabalho, na qual eu me agarrei e fiquei frustrada porque não deu certo. A vaga não foi criada e eu fiquei emocionalmente abalada, questionando se tinha feito o certo. Mas depois eu percebi que não era o momento, porque eu precisava melhorar meu inglês, me adaptar, para depois me aventurar no mercado de trabalho. Então, não criaria tantas expectativas, deixaria acontecer.

X - Toparia ser expatriada de novo?
MR - Com certeza! Quero morar em outros lugares, conhecer outras culturas, aprender a fazer comidas diferentes, viajar. Abraçar o mundo!

X - Quais expectativas se concretizaram e quais viraram pó depois da mudança?
MR - As expectativas que se concretizaram estão relacionadas à qualidade de vida, esperava ter uma vida mais calma, morar numa cidade segura, ter o Estado presente. Isso é muito importante para o processo de adaptação, quando você percebe que sua vida pode ser melhor do que era antes. Eu imagina que Oslo era uma cidade sem graça, sem muitas coisas para fazer, mas depois, com o passar do tempo, percebi que o que temos é coisa para fazer, como passeios, visitas, viagens. Não comer arroz e feijão também virou pó, pois consigo comprar tudo e até fazer feijoada. Aprendi a controlar a saudade também, manter o contato com os amigos, conhecer pessoas novas. Outra coisa que foi por terra foi o medo do frio, que era uma preocupação inicial. E achava que não aguentaria, que sentiria muito, ficaria doente. Nunca fiquei gripada ou dei um espirro, não deixei de sair de casa nenhuma vez porque tinha neve ou fiquei triste com os dias escuros. Mas confesso que estou ansiosa pelo verão.

A boa surpresa:
Foi perceber que amadureci, deixei minha ansiedade de lado e aprendi a viver um dia de cada vez, sem medos e expectativas.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O estrago de ficar e de partir.

Olá, X!
Depois de um fim de semana trágico para imigrantes nos Estados Unidos, abro a Folha e vejo o especialista em imigração,
Demetrios Papademetriou, dizer que a situação para quem está em outro país só tende a piorar.
Em entrevista à repórter Andrea Murta, do caderno Mundo, Papademetriou lembra que, até essa crise estourar, jamais tanta gente havia decidido viver longe de casa. “Não seria um exagero dizer que nos primeiros sete anos do século 21 deixávamos a era das migrações e entrávamos na era da mobilidade. Sem contar a imigração forçada, vivíamos o maior fluxo migratório de todos os tempos. Tanto a migração dos altamente qualificados quanto a dos ilegais estavam várias vezes acima do que jamais foram”, diz.
O fato é que muitos estão fazendo o caminho de volta, diz o pesquisador, “há indícios de que não só a imigração já atingiu seu pico como os imigrantes estão mesmo voltando para casa.”
Interessante é ver que o estrago já foi feito. Não importa a decisão, ficar ou partir, não tem consequência boa para ninguém, imigrante ou não, alerta Papademetriou. “Se o fluxo de retorno aumentar muito, os países de origem vão sofrer, pois a imigração é sabidamente um forte redutor de pobreza para as famílias do Terceiro Mundo. Nos países de destino, temo que se chegue ao ponto em que imigrantes, particularmente ilegais, se tornarão alvos da população doméstica, como se fossem responsáveis pela falta de empregos. Além disso, quando a prosperidade retornar, a economia dos países ricos sofrerá se demorarem a reconquistar os imigrantes necessários. Os trabalhadores mais flexíveis são os imigrantes, e sua mobilidade geográfica é extremamente importante para os mercados de trabalho.”
Ok, a conversa de hoje tem um tom bem pessimista. Mas não, não é por causa da segunda-feira, nem da frente fria, nem da crise estampada em todas as partes, é um especialista falando...
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Por aí...

Olá, X!
Vida de expatriada que embarca "numas" de atriz coadjuvante tem sim suas delícias. Agora, por exemplo, estou ziguezagueando por aí. Um luxo, ou um mimo - como preferir - para quem teve que aprender, mas nunca se acostumou, a dividir a vida entre dias úteis e não...
Vou parando por aqui, porque converso a partir de um teclado configurado para gringo: sem acento agudo, cedilha e coisas do tipo. Que trabalhão ficar nesse copia e cola de letras de textos antigos!
Voltamos a conversar na segunda!
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Com a palavra: outra X!

Estou calada, sem enviar novidades, mas acompanhando o blog. Gostei das entrevistas com outras expatriadas. Sempre achamos que as feridas são maiores em nós, quando, na verdade, todas passamos por momentos alegres, difíceis... E assim vamos amadurecendo e mudando nossa percepção deste "estado expatriático".
Acho que os primeiros meses são os piores, depois você cai na rotina, começa a buscar alternativas para preencher o tempo e quando vê está com a agenda cheia, pelo menos foi isso o que aconteceu comigo. Acho que cada um tem seu tempo, o meu passou rápido. Paciência é a palavra-chave.
Eu só chorei uma vez depois que nos mudamos. Foi quando minhas roupas ficaram manchadas de cinza, porque misturei uma calça, a qual achava que não saía tinta, com outras peças. Esqueci de ver a temperatura da água. Então todas as roupas ficaram cinzas, inclusive, 5 camisas de trabalho do meu marido. Ele só tinha 8 camisas. No dia, chorei horrores. Não foi pelo estrago, mas pelo fato de não ter um emprego, em consequência dinheiro para comprar camisas novas. Vai entender nossa cabeça! Hoje morro de rir do fato. Aos poucos vamos nos adaptando, prestando atenção nos detalhes.
Acho também que a tristeza faz parte do processo de adaptação, chorar quando der vontade, fazer o que vier à cabeça. Uma amiga me disse uma vez que nós temos o direito de ficar tristes, naquele momento não concordei, porque achava que se temos saúde, emprego e casa para morar a vida deve ser só alegria. Mas em algumas circunstâncias é preciso deixar a tristeza chegar, talvez, ela seja a mola para sair do poço, seja ele fundo ou não, cada um dimensiona seu buraco.
Na minha opinião, a língua é a principal barreira, se você não falar a língua local ou inglês, que é quase universal, o início será difícil. Contudo, também será uma boa oportunidade de estudar, conhecer pessoas. As escolas são os melhores espaços para isso.
Para mim os 3 ingredientes fundamentais para a expatriação são: ter calma, estar aberto e entender as mudanças culturais. De resto, é só aproveitar!
Maria, Oslo-Noruega.
Conte seu "causo" ou sua coisa. Assine como preferir. Mande seu texto para expatriadas@hotmail.com
Imagem: SXC