sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Com a palavra, outra X!

Oi, sou uma ex - X, entende?
Atualmente me dedico a refletir sobre os ótimos e péssimos momentos que tive nos meus 4 anos no México.
Tem sido um excelente exercício. Traz um prazeroso sentimento de valeu a pena, um enorme desejo de ser expatriada novamente e muita risada! Risada pelos momentos ridículos que passei até aprender o idioma e, principalmente, até saber mais sobre a cultura local.
Aqui vai apenas uma dessas experiências . Eu e meu marido havíamos planejado almoçar. Sabe como é, lugar novo, gente nova, vida nova...fomos então a um ambiente universal: shopping.
Chegando lá, humm, estranho...não era natal, nem dia das mães, nem nada em especial. Mesmo assim a fila para entrar no estacionamento estava enorme. Nossa, nunca vou me esquecer daquela fila.
Imagine só: a fome a pico e aquela fila que não andava. A irritabilidade estava a flor da pele. Os insultos ao país começaram aí. Bom, prefiro pular esse detalhe...
Depois de mais de 20 minutos na fila chegamos à suposta entrada do shopping e - tchan tchan tchan tchan - estava escrito BURGER KING - DRIVE THRU.
Noooooooossa, que vexame!!! Isso não foi o pior. Quando alcançamos a “janelinha do pedido” só nos ocorreu um no, gracias. Nos equivocamos.

Tinha umas duas semanas de México e aí começaram as minhas aulas de paciência, humildade e bom humor. Acho que sem esses itens, ou pelo menos o desejo por eles, a vida de um expatriado seria insuportável.
Vívian Galbes, São Paulo - Brasil.

Conte seu "causo" também. Assine como preferir. Mande seu texto para
expatriadas@hotmail.com

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tenho amigos. Tenho espelho!

Olá, X!
Sou da turma que apoia a necessidade do ser humano ter metas. Elas podem ser nobres, simples, rápidas, coletivas, instáveis, insanas, como queira.
Conversando por aí tive acesso a alguns propósitos de outras X. Tem sempre aquela que quer aprender o idioma local. Mas já ouvi gente dizer que quer aproveitar esse tempo de gringa para buscar uma especialização, ganhar uma grana, fazer trabalho voluntário, ter filho, aprender uma atividade, levar uma vida do avesso, fazer nada, emagrecer, enfim... cada uma é cada uma, ou não ?
Uma X confessou que está mesmo é exercitando a paciência. Eu acho que o meu objetivo está focado em outra virtude: a amizade.
Aristóteles diz que ela depende de outras qualidades. Há um pessoal que defende que a amizade pode ser até um vício quando impede a expressão de virtudes como a justiça, por exemplo.
Ai...isso pode ir longe...O que importa é ter amigas e amigos. Não importa a forma, mas o conteúdo. Não importa como eles chegam, mas se ficam – pelo menos na lembrança. Não importa quantos, nem onde estão, nem há quanto tempo são...
Logo a gente aprende que manter um relacionamento assim não é fácil. É árduo, algumas vezes sofrido, algumas vezes cansativo.
Pensando bem, a amizade me deixa até em uma condição desagradável, a de eterna devedora. É que devo a ela a noção de bem, de mal, de satisfação, de ausência, de engano, de perda... Mas é um exercício que compensa. Compensa porque me dá o melhor que posso ter nessa vida: a noção de mim mesma.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Café com leite.

Olá, X!
Não tem jeito, o sotaque dá uma condição muito interessante para quem está longe do lugar de origem. Ele faz da gente uma personagem quase café com leite, aquele tipo que não tem muita vez, pelo menos no dia-dia gringo.
Um exemplo: a atendente me perguntou: turista? Eu disse que não. Ignorando a resposta negativa e atenta ao sotaque ela simplesmente disse, ah, desculpe, isso é só vale a pena pra quem vai passar um bom tempo aqui.
Como a oferta da moça não me interessava em nada, nem insisti. Mas a cena foi interessante.
Me fez pensar que não basta ter orelhas e escutar bem, tem que saber ouvir. Ouvir o que o outro diz, não o que já dissemos internamente pra gente.
Mas aprender a ouvir é uma lição que não se tem, ? A gente aprende a falar, mas a ouvir não. Dizem que nascemos com isso. Ou escutamos ou somos surdos. Mas nem sempre as coisas são tão simples assim...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Entre o belo, o útil e o indispensável.

Olá, X!
O período por aqui é de volta às aulas. Nada novo. Calendário à parte, isso acontece no mundo todo pelo menos uma vez no ano. Mas uma cena me cativou. No supermercado uma mãe tentava convencer a filha sobre os benefícios de uma mochila – claro que menos atraente esteticamente em relação ao modelo que a menininha havia escolhido.
Esse nhe-nhe-nhem na seção de material escolar também não é novidade. Aliás, o mais comum em período assim e acompanhar verdadeiras batalhas por causa de caderno, borracha, canetinha e apontador.

Não, essa conversa não é sobre a luta da aluninha pelo belo nem pretendo abordar o esforço da mãe na defesa do útil.
O fato é que mais um clichê bateu à porta. Dizem por ai que não importa o que acontece na vida da gente mas em que transformamos esses acontecimentos. A menininha não será a única com a mochila mais útil. Uma legião de colegas devem estar na mesma situação, mas como cada uma vai se acertar com as experiências do cotidiano é outra coisa...
A astrônoma Maria Mitchell, por exemplo, fez dos costumes do século 18 a trilha para ousadia. Entre suas descobertas encontrou até um cometa.

Sim, também temos um universo a explorar. E não precisamos estar tão longe, tão só, tão... Basta coragem para simplesmente olhar. É que como dizia Michell... quanto mais vemos, mais estamos capacitados para ver.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Que sucesso essa gata que sabe latir.

Olá, X!
Não, não é só você. Por mais que alguém seja fluente em um outro idioma, essa tal língua não deixa de ser estrangeira e sempre tem uma hora que cansa. O que acontece? Você sai por aí misturando tudo. Solta uns fonemas em Português, não dá algumas respostas e deixa de fazer certas perguntas.
Tudo bem, sei que você não está pra conversa hoje e deve estar cansada até para falar com as conterrâneas. Mas a história é pequena e bonitinha. Ouvi agora a pouco.
A gata seguia com sua prole pela rua quando apareceu um cachorrão, o mais invocado da vizinhança. Os filhotes ficaram assustados com o bicho e surpresos com a reação da mãe.

Em vez de recuar, a gata seguiu toda empinada e parou em frente ao Rex. Encheu o pulmão e, em vez de miauuu, deu uma bela latida. O Rex nem tentou enfrentar, virou a esquina e sumiu. A bichana, muito sábia, virou para a cria e disse: viu como é bom saber uma segunda língua?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Desejo e gozo.

Olá, X!
Numa sexta-feira dessas defendi a importância do ócio, do lazer, do papo pro ar ou o nome que você preferir para o famoso “dar um tempo”.
Engraçado, como é difícil aceitarem - me incluo - que me propus a ficar um período sem seguir a cartilha sócio-profissional. Sempre vem a pergunta, e aí o que tem feito? É muito estranho responder nada!
Mas eu estou fazendo nada mesmo. Nada do que dizem que deveria fazer nesse período de expatriada coadjuvante. Não, não estou fazendo trabalho voluntário. Também não, não participo de grupos de mulheres de sei lá o que. E não, não estou grávida. Desculpe, não, não e não. Ok, estou estudando, quero viajar o que puder e experimentar, experimentar e experimentar. Adoro número primo!
Mas não é que envolvida nesse meu projeto bloguímico, sim – porque, pra mim, lidar com tal tecnologia é quase tão difícil quanto entender química – lembrei de uma palestra da psicanalista Maria Rita Kehl, em maio, no Rio.
Ela falava sobre passividade quando soltou a trovoada: até a morte estamos entre o desejo e o gozo, queremos estar muito mais tempo no gozo, mas a vida é mais valiosa a medida que dedicamos mais esforços em alimentar o desejo.
Não tem jeito, o desejo é o combustível do dia seguinte. A gente morre é de prazer!
Claro que batalho para não cair no desejo comum, alienado. Aqui, pelo menos aqui, quero desejar para o bem, para o meu bem. Busco o desejo que resulte – tomara – em uma satisfação realmente plena e pessoal.
Mas, ex, hoje é sexta. E só posso desejar uma coisa: que o mundo tenha um fim-de-semana de gozo total.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sobre cuidado, paciência e carinho.

Olá, X!
Eu juro que venho tentando mudar de assunto essa semana, mas começo meu tour diário e dou de cara com o
gasto recorde de conterrânereos em férias fora do Brasil. Viu? A resistência é árdua...
E olha que o dia-dia longe de casa tem ficado cada vez mais
caro. Se bem que São Paulo e Rio estão entre as campeãs do continente em preços salgados.
Falando em tempero - agora sim mudando o tema - uma
pesquisa pode apimentar a discussão sobre a monogamia. O resultado sugere que um homem com várias esposas tem mais chances de viver além do que é casado com uma só. Gente... e foi uma mulher que concluiu isso!
Pra ajudar, o antropólogo da Universidade de Cornell, Chris Wilson, vira e fala que "não surpreende que homens nessas sociedades vivam mais que homens em sociedades monogâmicas, onde eles ficam viúvos e ninguém cuida deles". Então, se eu entendi, se o homem morre antes do que deveria a culpa ainda é da gente, pior da morta?
A mesma pesquisa diz que a expectativa de vida da mulher aumenta por causa dos netos. Então tá. O negócio é ter paciência e esperar pela terceira geração. Aliás, a
atacante Marta disse que faltou calma na busca pelo ouro na China. Mulher + calma? Sei lá, já ouvi dizer que essa equação não existe.
Mas o que importa é que já temos uma mulher na presidência do Brasil. Verdade! Palavras do
Lula: "Ah, as mulheres são as mulheres. Por isso é que eu sou cada vez mais mulher". O presidente disse isso depois de chamar meio mundo de babaca.
Bom, tenho que ir. Vou cuidar com carinho!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Azedume, espartilho e disciplina...coisas da vida.

Olá, X!
Que dia burocrático! Mas, fazer o que? Fila, carimbo, cara azeda e síndrome de “otoridade” tem no mundo todo, não é?
E se temos que passar por isso, que seja com estilo.
Aha, eu sei que você adora esse tema e, vez ou outra, abraça com a força de espartilho o lema "sim, eu quero mais é inflacionar ".
Então serei breve. Se você está chegando e gosta de ter o controle das coisas e das contas, não se esqueça da regrinha quanto vai-entrar-quanto-deve-sair – olha menina...isso é sério...
Para facilitar, me passaram uma calculadora de custo de vida, mas está restrita à algumas cidades dos Estados Unidos.
E se você ainda insiste em pensar em Reais, têm alguns conversores online por aí. O processo é simples, rápido mas, com o dólar fraquinho assim, só não garanto que será indolor...
Ah, continua chovendo muito...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

A cartilha é de graça!

Olá, X!
Depois da visita ao post abaixo, uma amiga me acusou de colaborar para inflação aqui nos Estados Unidos. Como eu sou igual a bonequinho de sinal em são Paulo – odeio ficar piscando – eu disse educadamente: ah, vá pra Zimbábue! Explico: lá sim tem inflação - 11.200.000% nos últimos doze meses. Interessante é a explicação do ministro das Finanças, "continuamos a lutar contra a inflação tentando garantir que os preços cobrados sejam realistas", ã?
Mas se a minha amiga tiver razão, a inflação deve cair um pouco. É que desde ontem está chovendo muito, bastante mesmo, então estou acampada em casa, navegando!
Entre uma parada e outra descubro que, pelas contas do governo, 4 milhões de brasileiros vivem fora do país. Outro dado: o mundo tem 200 milhões de expatriados. Nossa, que alegria – adoro número, gente!
Mais? Não tem! O que encontrei foi uma cartilha para os que estão longe. O material foi lançado em março deste ano pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O texto reserva bastante espaço para a questão da imigração ilegal. Aborda também temas como o sistema de saúde em outros países, envio de dinheiro ao Brasil e retorno ao país, além de reunir links que podem ser úteis.
Agora vou ver se parou de chover!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Relaxa, amanhã tem mais - apesar de ser outro dia...

Olá, X!
Em linha com a moda de supervalorizar o presente e ainda traumatizada pela experiência pouco agradável de esvaziar uma casa repleta de aguçada noção de futuro, resolvi que meu novo endereço - com data definida para vigorar - refletiria o espírito fugaz do tempo. Me propus só ao necessário: poucos móveis, linhas retas, sem adornos...
Mas como já disseram, estamos entre o tempo e a eternidade.
Então eu simplesmente juntei a necessidade de satisfação urgente e imediata dos meus desejos ao senso de viver nessa situação para sempre. Resultado – vou falar baixinho - compras para a casa.
Se você ainda se sente culpada por se render, Santo Agostinho:
“O que agora claramente transparece é que nem há tempos futuros nem pretéritos. É impróprio afirmar que os tempos são três: pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer que os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das presentes e presente das futuras”.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Assuntos desconcertantes...

Olá, X!
Em mais um dia de expatriada - nunca exilada, transitando entre a quarentona Mística Feminina, da Betty Friedan, e seu atualíssimo filhote The Feminine Mistake, da Leslie Bennetts, estava disposta - apesar da sexta-feira - a trocar idéias sobre o destino da mulher como ser pleno, que precisa de alimentos que incluem compromissos sociais e pessoais, como família feliz, relacionamento saudável e carreira.
Mas aí leio uma coisa de dar dó e não posso deixar de manifestar minha solidariedade aos homens franceses. Eles estão em plena
campanha para poder usar saia.
Gente, como é bom viver em um país onde o vinho é ótimo e a primeira-dama é linda! Esqueça a
economia e a tensão social.
Aliás, falando nisso, me deu uma vontade de mudar de assunto...Sabe aquelas matérias sem pretensão, resuminho básico de livro que está sendo lançado, em que você passa o olho e ok?
Então, um desses textos me fez pensar sobre o risco de uma combinação que parece estar ficando comum por aí: inteligência mediana e muita ambição.
Na verdade, não cheguei a nenhuma conclusão, mas acho essa frase reveladora. Revela os ideais de hoje em dia, as buscas, os traumas. Talvez explique por que o homem que quer usar saia simplesmente não coloque uma e saia por aí - com o perdão do trocadilho. Acho que pode explicar também por que, com tanta coisa nova pra descobrir, parei justamente para ler sobre os homens que querem usar saia. Sei lá...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Um minuto de silêncio. Você consegue?

Olá, X!
Nesse mundo em que a gente acha que tem tanto a dizer e em que o tempo todo é convocado a falar, ficar em silêncio é quase uma derrota. Não para Daniel Dantas, claro, que conseguiu o direito de permanecer calado.
Tudo bem que não é desse silêncio que falo. Acho que poder falar e conseguir dizer exatamente o que se pretende é tudo de bom. Outro dia mesmo eu defendia a palavra como meio de elaboração interna e externa.
Mas hoje queria conversar um pouco sobre aquele outro silêncio. Ok, esse tema é quase clichê de tão debatido, estudado, explorado – até. Mas, na prática, quem consegue encontrar o silêncio interno, a tal da quietude?
Engraçado, é quase um auto-elogio poder falar: “nossa, não consigo ficar parada”, traduzindo: nossa, sou super esperta, agitada, envolvida com o mundo, bacana, jovial, legal e todos os outros als possíveis.
Mas, no fundo, poderia soar como: nossa, sou uma louca, desequilibrada, perturbada, que não é capaz de parar cinco minutos para dar espaço ao nada. É que na verdade, principalmente assim, longe de casa, eu não posso ficar parada.
É que a gente sabe que isso dói, ? O silêncio dói, a pausa dói. E cada um sabe onde o calo aperta.
Então acho que vou pedir ao Supremo, não ao Tribunal Federal – como conseguiu Dantas, mas ao Supremo Poder do Universo, Supremo Senhor, Supremo Pai - como queira – que Ele me conceda o direito - ou a coragem - de ficar calada. Que me conceda o privilégio de não dizer nada, apesar das exigências internas e das expectativas alheias, apesar das urgências, dos receios, da angustia, dos questionamentos. É que dizem por aí que o silêncio guarda muitas respostas.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Banana-maçã e manicure, que dia bom!

Olá, X!
Ontem foi dia de boas descobertas. Descobri um local que vende banana-maçã – que eu adoro, descobri mais uma loja com preços ótimos, caminhos mais curtos e, eu disse E, manicure a la brasileira. Dica da expatriada Carol!
As que me atenderam eram chinesas. Tudo muito eficiente. No começo foi difícil conseguir explicar que não queria a unha nem quadrada e nem redonda, mas a gente se entendeu. Fiquei desconfiada até tirarem a cutícula. Foi perfeito! Elas se espantaram com a minha escolha, e naquele inglês de cebolinha ousaram: blanco tlanspalente, tem certeza que não quer um pink?
As diferenças: elas são tão precisas na hora de pintar que nem precisam limpar o excesso de esmalte. E a massagem? No lugar que eu fui ela se estende da mão para o braço e do pé vai até o joelho, muito boa!
A diferença marcante: o preço, o que não é novidade. No mínimo o dobro do que estava acostumada a pagar.
Mas acho que faz sentindo, sabe? Faz sentido pagar pelo talento. Ok, aprendemos que o preço do bem já contém o valor do trabalho, da capacidade, inovação e o capacete a quatro. Mas a gente é bem acostumada a pagar, nem que seja proporcionalmente, pequenas fortunas por produtos em série e dar esmolas pelo talento, é claro que falo daquele talento presente no dia-dia, traduzido - geralmente - em serviço.
Tudo bem, também defendo a idéia de que seria muito bom precisar de menos dinheiro para fazer as coisas e também não acho que aqui a relação capital trabalho seja mais justa , o que não é.
Mas não é por essa porta que eu quero entrar, não. Só quero dizer tudo isso me faz pensar um pouco mais em gente, na relação humana que, de tão comum, fica transparente. Para mim, ter ido à manicure longe de casa foi simbólico. Representou respeito à diversidade, crença na capacidade alheia e, lógico, aumento da auto-estima, porque unha bem feita é tudo de bom e eu não sou de ferro...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Quase morro!

Olá, X!
Eu nunca vivi uma experiência de quase-morte, tipo aquela em que dizem que você entra em um túnel iluminado, tem uma profunda sensação de conforto, de leveza e resiste em voltar, embora a voz insista: vooolte, vooolte.
Em mais um lero-lero mental cheguei à conclusão de que a gente vive várias experiências de quase-morte mesmo sem, necessariamente, passar por um incidente ou acidente.
Quase morremos quando nascemos, quando saímos da infância, da adolescência e da juventude. Quase morremos quando perdemos o emprego, quando somos ignorados, abandonados. Quase morremos de ódio, de medo, de frio, de fome, de saudade, de ciúme, de dó, de rir, de comer, de cansaço , de alegria, de orgulho, de prazer...
Vendo por esse lado, ser ou estar expatriada pode ser uma experiência de quase-morte. A invasão sentimental é tamanha, que parece que se pode quase morrer quase todo dia.
Não sei se isso é bom ou ruim, depende. Mas quase morrer dá uma baita sensação de estar viva, não um “morto-vivo”, mas vivinha da Silva.
É que nessa condição de quase-morte não há meio termo. Essa vida distante do que é familiar é intensa, profunda, é a conta-gotas, aos detalhes. Não se passa em branco, não se deixa pra lá.
É, como diz o Xandico, “ai... essa vida ainda me mata”.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Colecionadora de pennies.

Olá, X!
De onde eu vim milhas é aquilo que você acumula ao viajar pela Tam. Pé serve para por sapato. Libra é o signo da minha mãe. E polegadas indica o lugar da TV - 14 no quarto e 29 na sala.
Mas as coisas têm mudado e, como uma digna infanta já retratada aqui, meu propósito é sempre facilitar.
Já aprendi que no transito a velocidade não pode ultrapassar o número 35, o mph - milhas por hora - eu deixo pra lá.
O pé aqui tem 30 centímetros. Eu nunca vi um pé desse tamanho, mas de repente me vi encolher. Virei uma centopéia manca com pouco mais de cinco pés - de altura, estranho? Estranho é meu peso que só aparece em centena. Quantas libras...Isso é angustiante!
Pensando bem, angustiante mesmo é pedir peito de peru fatiado. Estava acostumada com 200 gramas. Agora fico naquela continha mental de mais um, menos um, sobe dois.
E para saber a temperatura então? Já suei tanto que cheguei a perder dois quilos transformando Fahrenheit em Celsius.
Como lido com as polegadas? Ignoro. Continua servindo para decidir o lugar da TV.
Agora imagine você no mercado, na fila do peito de peru, tentando saber se está calor e tendo que se concentrar na hora de espirrar? Lembre-se, atchum em vez de atchim. Se doer é ouch e não ai.
Mas mudando de assunto, uma coisa que eu gosto é dos nomes da moedas.Penny para um centavo, dime para dez e quarter para 25. Sabe, tenho uma amiga que coleciona penny. Ela já juntou 257 pennys (sic). Bom, ?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Todo dia é sexta-feira - pelo menos aqui, vai!

Olá, X!
Sexta-feira! Estava aqui pensando que de uns tempos para cá meus dias têm sido um fim de semana contínuo, já que estou na condição de esposa de profissional expatriado e faço parte do time que deixou tra-la-lá e etc e tal para acompanhar o maridão.
Engraçado que tenho tido compromissos, sim. Escola, casa, compras, contas, só que parece que tudo flui mais leve.
Mas conversando com as ex que estão na mesma condição que a minha, percebo que lidar com o fato de poder desacelerar e fazer coisas que não tinha tempo nenhum de fazer porque trabalhava como um camelo é algo que incomoda.
É como tomar gelado assim que a garganta cura ou não resistir ao vinho, mesmo recém-saída de uma paulada no fígado. Quero dizer que não tem nada demais, tipo, a doença passou, bola pra frente, mas tem aquela coisa de culpa que não larga do pé.
Aí na leitura diária encontro uma entrevista com um especialista em lazer, é mole? Resumindo, o cara diz que você é quem decide se a sua vida vai ser legal ou não.
Na entrevista para a Folha de hoje, Christopher Edginton garante que até no trabalho, até em um bate-papo, até em casa, até quando a conta bancária não ajuda é possível “descer pro play” - como dizem os cariocas - porque lazer é um estado de espírito.
Se você está aí se sentindo um nada porque não tem mais ninguém mandando no seu relógio e na sua agenda pense um pouco sobre as palavras do especialista. “Tudo que ocorre na vida de alguém tem um potencial de transformação. O lazer é um momento especial porque livra as pessoas de suas obrigações e lhes dá uma oportunidade de refletir, redefinir valores, aprender novas habilidades. Pense em lazer como liberdade --quando você é livre para escolher, para mudar a sua vida e seguir numa direção diferente”.
Então não deixe que esse seu fim de semana termine no domingo, ok?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O Soutien e a bola.

Olá, X!
Com o propósito sempre de integração cultural e de pesquisa antropológica - ai - hoje dei uma de americana e fui às compras logo depois do almoço.
É estranho, você entra nas lojas e parece final de semana ou grande liquidação, está sempre tudo cheio. Acho que é porque o clima aqui é de fim de férias. Bom, só vou saber quando mudar a estação.
O ritmo na loja é diferente. Não tem aquela paquera com a mercadoria. A mulherada vai olhando tudo de forma acelerada. O som é de cabide batendo, tac-tac-tac uma peça após a outra. De repente uma pausa. A loira ao lado acha uma blusa linda! Vai ter olho clínico assim lá longe.
Peguei 327 milhões de itens, é que ainda não me acertei com meu número...
Mas, sabe aquela história da azeitona da empada? Pois é, tanta roupa linda e um soutien que sobrava na frente e apertava nas costas acabou disparando um blá-blá-blá mental. Sim, tenho tido muito disso ultimamente.
Sinto que eu nasci ontem. Não sei mais meu manequim, a noção de caro e barato complicou, sem contar o bê-á- em tudo, no restaurante, no trato e no destrato – por quê não? Usar moeda então é exercício de paciência, imagina para o caixa...
Mas a gente cresce, ?
P.S. Parei de falar de repende? É que cansei, coisa de criança, sabe? Ei, devolve minha bola, vou subir.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Expatriada ou exilada?

Olá, X!
Nos dicionários a definição de expatriada e exilada é a mesma: desterrada, degredada e por aí vai. Mas a gente sabe que as conotações são diferentes. O exílio vem carregado de obrigação, enquanto a expatriação, pelo menos no universo corporativo, está inserida na atmosfera do triunfo.
O fato é que independente da motivação, detestada ou desejada, estrangeira é estrangeira. Como encarar essa condição no dias e no Brasil de hoje é uma escolha pessoal.
Se você optou por ser expatriada, assim como eu, olha o que o professor brasileiro
Idelbar Avelar, um ex de carteirinha, fala sobre o assunto - isso pode doer! “O expatriamento mexe com as vísceras e produz terríveis distorções de percepção. Vacilos, dúvidas, culpas vão produzindo uma racionalização da saída, através da qual a pátria deixada para trás se transforma num inferno do qual se escapou ou num paraíso perdido”.
Agora essa vai para quem aderiu ao exílio: você corre o risco de emudecer. “Se, por um lado, a conflitante sombra de muitas culturas e idiomas pode estimular a inventividade verbal, por outro lado, também pode levar ao silêncio quase absoluto”. Isso é o que a jornalista
Claudia Nina constatou ao pesquisar a obra de Clarice Lispector durante os 16 anos em que a escritora expatriada aderiu à condição de exilada.
Vixe, cheguei a um ponto sem saída. Não era isso que eu tinha planejado pra hoje. O fato é que eu sou fã da ideia de que a palavra nos salvará, seja ela qual for. Portanto, dê nome aos sentimentos, deixe a palavra sair, nem que pra isso você enrole um pouco a língua...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Edouard, meu primeiro furacão foi só uma garoa.

Olá, X!
O alerta começou ontem. A tempestade tropical que vinha do oceano poderia virar furacão.
Então, seguindo a maré, corri para o mercado. Estoque de água, comida enlatada, lanterna e pilha. Boa lembrança da amiga Adriana: "não se esqueça do abridor de lata".
O kit é necessário em caso de danos na rede elétrica e de abastecimento de água, com risco de dias de "acampamento", sem energia e sem água potável.
Seguindo o procedimento de quem já viveu a fúria da natureza, escolas, empresas e repartições não abriram nesta terça-feira. Na televisão, plantão 24 horas.
Edouard chegou pela manhã acompanhado de chuva e vento de até 100 quilômetros por hora em alguns pontos da costa Texana.
Mas ao contrário das previsões pessimistas, nada de danos. Edou - sou íntima - trouxe coisa boa, como temperatura mais amena. Pela primeira vez em um mês o termômetro ficou abaixo dos 30 graus durante o dia.
No fim, meu querido Edouard foi a causa de um dia mais calmo, mais lento, diria recluso até.
É, para quem está acostumada com as enchentes paulistanas e viveu a confusão com o fechamento do carioca Rebouças no ano passado, o Edouard foi só uma garoa...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O salto e o pé-de-meia.

Olá, X!
Não é que andando por aí eu achei alguns dados sobre o universo “expatriático”. Tudo bem que os números não são dos mais recentes, foram divulgados em 2006, mas talvez ajudem as neuróticas por estatística – sim é o meu caso!
Primeiro as formalidades: a pesquisa é da Mercer consultoria de Recursos Humanos e foi feita em 104 empresas do mundo todo.
O dado que me chamou a atenção foi que sete em cada 10 empresas pagam custos com cursos de idiomas e sobre a cultura local, por exemplo, mas a maioria – dois terços – informa não ter mecanismos para fazer com que a família expatriada sinta-se de fato em casa. Um dos diretores da Mercer , Gareth Williams Bom, diz que a “falta de tempo e restrições de custo fazem com que as empresas concentrem seus esforços em um suporte mais prático e do dia a dia do funcionário” .
Bom, acho que não precisamos mais de números para perceber uma coisa, para assuntos relacionados à saudade, ansiedade, insegurança, etc e tal o suporte vai estar mesmo na nossa capacidade - diria até mágica - de lidar com tudo isso sem descer do salto.
Mas caso hoje você já tenha jogado as tamancas para o alto, que tal mais um dadinho?
A pesquisa revela que os incentivos em dinheiro para compensar o funcionário pela inconveniência de ser transferido continuam a ter um papel importante na política de expatriação das companhias.
Então cara X, se o dia estiver um pé...se a noção de experiência que você está acumulando estiver no chinelo, fique descalça de vez e lembre-se da meia, isso, do pé-de-meia que você, ou vocês estão fazendo longe da terrinha...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Em que Lua você está?

Olá, X!
Meu propósito hoje era trazer um conteúdo mais formal, com alguns numerinhos – coisa de jornalista. O fato é que não encontrei nada que traduzisse numericamente o cotidiano dos profissionais e suas famílias no exterior.
O que me chamou a atenção foi uma tese que citava um livro de 1986 - Culture Shock: Psychological reactions to Unfamiliar Environments, London: Methuen. Um alívio...até que enfim uma visão mais humana do processo.
Na obra, os autores Adrian Furnham e Stephen Bochner dizem que a expatriada (o) - aqui é ao contrário - passa por quatro fases:
O começo é de euforia, lembra muito aquelas férias em um lugar novo.
Mas...no fim de três semanas - mais ou menos - vem a segunda fase , a do choque, quando o desencanto começa a marcar o dia a dia.
Os autores garantem que isso normalmente passa.
Bom, então se o esquema deles funcionar mesmo, eu sei que vou entrar na fase três quando passar a adotar – sem crise - as regras e os valores do novo país e tiver confiança para me aventurar na rede social.
E como quando a gente conversa a gente se entende, eis a fase quatro, a de relacionamento intercultural e de estabilidade emocional.
Perceba que da fase dois em diante nossos amigos não detalham o tempo de duração. Portanto, cada caso deve ser um caso, como tudo na vida!
Mas se na teoria a tese é fácil, os escritores lembram que o a integração pode ser tamanha, que corremos o risco de abandonar a própria cultura – aí complica na volta.
E você, em que fase está?