Olá, X!Fiquei pensando que desbravar uma cultura diferente, seja ela estrangeira ou não, poder ser similar à experiência de sair do corpo. Você, deprimida, deve estar pensando: isso mesmo, sou uma morta-viva.
Não! Não é bem assim.
A fulana está dormindo ou está em coma e sai por aí flutuando. Adoro ler sobre isso, tenho preferência pela parte em que o ser flutuante narra a sensação de ver o próprio corpo, deitado, existindo independente da tal alma que agora está grudada no teto...
Bom, em geral, pelo que leio, a pessoa que não vai em direção à famosa luz volta mais otimista, feliz e com energia para vencer desafios. Fruto, defendem os especialistas, de um aumento da noção do diferente, de que há possibilidade até no impossível.É aí que eu acho que esse processo de sair do corpo pode ter muitos traços em comum com a expatriação.
Em uma nova cultura praticamente deletamos nossa receita de vida. Não por que abandonamos nossas referências simplesmente, mas por que temos chances de perceber um mundo diferente, repleto de sinônimos. Acho que o sinônimo não está só na fala e na escrita. Está na ação também.
Um exemplo besta: lavar roupa. No Brasil o esquema é máquina, varal e ferro. Aqui é máquina de lavar, de secar e guarda-roupa, não tem que passar. Modos diferentes para um mesmo objetivo: roupa limpa.
Tudo bem, as pessoas adotam determinado esquema por motivos que vão da facilidade à viabilidade econômica. Pode ser por costume também...
O fato é que quando aceitamos tentar fazer as coisas de outra forma ganhamos uma espécie de ticket, uma chave capaz de abrir sem grande trauma os cadeados que impedem a nossa inserção em um mundo que pode ser novo, louco, inacreditável e por aí vai. No fundo o que a gente quer mesmo é ser aceita, né?

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